(Não pares). Uma lágrima salgada escorre pela face do homem. Do homem sentado numa esquina. As mãos sujas, os cabelos desgrenhados, o estômago colado às costas. As pernas magras e fracas que não o aguentam em pé. (Não pares). O homem não sabe como foi ali parar. Reza pela morte do mundo cruel, áspero. O mundo negro e apodrecido que apenas vai matando corações. (Não pares). Não pares um segundo para o olhar o homem parado na esquina. O homem que abandonaram. Sabes que idade tem? (Não pares). Sabes? (Não pares). Ignora. (Não pares). Mata-o. (Pára). Agora já paras? Pega numa arma e mata-o. Não? Não és capaz de pegar numa faca e esventrar o seu corpo? Abominas pegar numa espingarda e enfiar uma bala no seu cérebro? Então, porque o ignoras? (Não pares). (Pára).
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16.4.12
13.4.12
We Were Born To Die ♥
E ontem, tomei contacto com os meus lençóis e adormeci. Esperava um sono sem sonhos, sem tormentos, sem fadiga e choros. Mas quem é que eu quero enganar? Esses momentos de paz, sossego, calma, não me estão destinados. Hoje, sonhei com a minha morte. Sonhei que um anjo tinha vindo para mim, para me levar para junto de Deus. Aproximou-se de mim um ser angelical, com um olhar quase infantil e disse-me que tinha sido enviada por Deus. "Deus veio por mim?" "Não." "Eu vou por Deus?" "Sim." "Eu vou morrer?" Pergunto por entre soluços. "Sim." "Quem és?" "Sou um anjo, e fui enviada por Deus. O meu nome é Margarida." "Porquê?" "Porque Deus espera por ti. E junto d'Ele serás feliz. Estás pronta?" "Pronta?" "Para morrer". Nesse momento, obriguei-me a mim mesma a acordar. E aí, apercebi-me. Eu não quero morrer. Eu não vou morrer, pois não? Por favor, não me deixem morrer.
9.4.12
This Is My Idea Of Fun ♥
E hoje, aqui me encontro, com a mão dorida e a vista cansada, para escrever mais um aglomerado de palavras insignificantes. Mais um conjunto de letras que a ninguém interessa. Nem mesmo a mim. A minha mente paira por outros locais, neste momento. Todos os meus sentidos estão distanciados do meu corpo e do local onde os átomos que me conjecturam realmente se encontram.
Viajo pelos momentos que já passaram e que desejo ardentemente recuperar, reviver e guardar no coração.
Viajo pelo meu futuro, tão incerto. Tão frágil e volátil. Posso acabá-lo, amanhã, antes mesmo de o começar. Posso atirar-me ao mar, e morrer, sufocada pelas águas que, ao torturar-me, apenas estariam a cumprir o meu desejo.
Mas não, não o farei. Não transformarei o meu futuro num nada. Pelo menos, não por agora.
5.4.12
Drink Up Sweet Decadence ♥
Atravessara a estrada a medo. Não estava completamente certa daquilo que planeava fazer. Refugiar-se no escuro talvez ajudasse. Deixar as luzes para trás.
Continuou a andar, acelerando o passo. Embrenhou-se ainda mais nas ruas desconhecias, cujas esquinas a baralhavam. Tudo estava silencioso, por isso, o estranho o som de uma respiração pesada alertou-lhe os sentidos. Sentia-se desconfortável, como se algo não estivesse bem. Talvez não estivesse mesmo. Ou talvez fosse apenas o medo a falar mais alto.
Lentamente, olhou para trás. Pareceu-lhe adivinhar uma sombra, mas era de certeza apenas um pequeno candeeiro pendurado numa varanda. "Mas não há vento...".
O ar estava pesado, e ela sentia dificuldade em respirar. Era-lhe difícil manter-se consciente. Sentiu-se a cair, e a última coisa que viu foi o candeeiro apagar-se.
Ele vira-a cair. Vira o medo nos olhos dela quando se voltara para trás e perscrutara o vazio. O vazio onde ele se encontrava. O vazio por onde a seguira, imitando-lhe os passos, desvendando-lhe as rotinas. Quando a vira cair, soubera que estava tudo acabado. Ela morrera, e ele continuaria no vazio, no escuro, como que esperando pela sua alma.
28.3.12
Promise You Remember That You're Mine ♥
Sabes que sou insegura. Sabes que me custa acreditar nas palavras que me dizem... E quando me proferem
"Eu amo-te, acredita em mim. Juro.", o meu coração não sabe no que há-de acreditar.
"Eu amo-te, acredita em mim. Juro.", o meu coração não sabe no que há-de acreditar.
Sim, é verdade que eu te amo, não o posso negar, e és realmente muito importante para mim. Não foram raras, as vezes em que me imaginei do teu lado, a respirar o mesmo ar que tu, com os teus dedos entrelaçados nos meus. É simplesmente algo que consigo ver. É algo que me traz conforto. Alegria. E aquele nervosismo miudinho.
É por isso que eu te peço: se me amas, se me amas realmente, como dizes, não me mintas. Não deixes que isto seja mais uma ilusão, de falsas palavras, falsos gestos e sentimentos. Não deixes que isto seja mais um falso amor; porque esses, já eu os vivi, e não os quero mais junto ao meu coração, que só agora começa a bater de novo, esperando a cura que só alguém como tu lhe pode dar.
Não transformes as tuas palavras em mais um tiro, directo ao meu coração. Porque se assim for, isso destruir-me-à. Tu sabes que sim!
Espero pelo dia de amanhã, e pela prova que insistes em dar-me. Espero pela felicidade. Pela liberdade. Espero pelo amor. Espero por ti. Por favor, cuida bem do meu coração.
26.3.12
But I Still Remember That Day We Met In December ♥
É como andar sobre vidros partidos. Pensar no que fazer.
É doloroso, e quiçá desnecessário, porque a minha decisão estava tomada desde o início. É uma dor imposta por mim mesma, porque eu sempre soube o que queria fazer. A minha decisão mantém-se. A minha muralha continua erguida. Continua forte, e eu, dentro dela, protegida. Dentro da redoma do meu orgulho.
Continuarei no silêncio, no exílio, no túnel. O meu corpo permanecerá onde está. A minha mente, essa, vagueará, mas manter-se-á fiel. Fiel aos seus próprios princípios improvisados. Afinal, há sempre uma primeira vez para tudo, não é?
21.3.12
Take That Body Downtown ♥
Estava tudo tal e qual como deixara. As cadeiras estavam arrumadas da mesma forma, o mesmo guardanapo sujo estava sobre o balcão da cozinha. A torneira continuava a pingar as mesmas gotas de água por minuto. A falha na tinta da parede do quarto não tinha aumentado nem sido corrigida.
Ele tinha razão. Ela nem daria mais pela sua existência. Ele prometera-lhe que seria como se nunca tivesse existido.
Mas a verdade era que ainda existia. Mesmo não se notando. Mesmo que ele tivesse feito tudo para que o coração dela não doesse mais, após ter ouvido as suas palavras.
Ele ainda permanecia na mente dela, tão vivo como quando o vira pela última vez. Ainda conseguia sentir o sabor da sua boca e o seu cheiro continuava impregnado no nariz. Ele ainda vivia. Então, porque tinha morrido?
11.3.12
Yet I'm Cold To The Core ♥
Às vezes, ando pela casa, e do nada, apareces na minha mente. Tu e um enorme conjunto de perguntas. Pergunto-me o que terei feito de errado para que não me amasses. Pergunto-me o que foi que te passou pela cabeça da primeira vez que disseste que me amavas e quando decidiste separar-nos. A minha cabeça dá voltas e voltas, sem nunca conseguir arranjar uma solução para uma tão complicada e inexplicável equação. As tuas atitudes são uma incógnita, e os meus pensamentos, a multiplicação de todas as perguntas que deixaste na minha mente e no meu coração.
Sempre gostei de desafios, mas este é demasiado complicado para que o consiga desvendar. Tu és demasiado complicado para que eu consiga perceber onde raio é que tinhas a cabeça quando me mentiste daquela maneira. Quando iludiste os meus sentidos e fizeste com que me apaixonasse por ti. Que merda é que foste fazer?
Mas enfim, o que está feito, feito está, e não preciso que venhas soltar o nó que deste na minha cabeça. Aliás, mesmo que precisasse, não virias. Tu és assim mesmo. Eu mesma o soltarei, e farei dele um laço, para tentar embelezar o negrume, as feridas e as blasfémias.
Sabes uma coisa? Eu tanto lutei para arranjar uma mera resposta, que percebi que simplesmente, há coisas que não se explicam. E tu és uma delas. A única coisa que posso fazer para ter uma pequena luz, um pequeno vislumbre da solução é ignorar. Atirar(-te) para trás das costas e seguir caminho. Porque, mesmo sem resposta, já percebi que eu não fiz nada de errado. Foste só mesmo tu que conseguiste destruir o que quer que tenhamos começado a construir. Se é que começámos a construir alguma coisa.
Já lá vão os tempos em que julgava que existiam seres humanos que roçavam a perfeição.
3.3.12
'Cause Your Presence Still Lingers Here ♥
Ouvia o silêncio que pairava à sua volta. A sala estava fria. As mãos, mesmo dentro das luvas, estavam geladas. Tinha conseguido cravar um cigarro ao velho da esquina, mas não tinha lume. Pegou no cigarro e observou-o, com olhos de ver. Retirou as luvas e sentiu bem nos seus dedos a textura suave, mas ao mesmo tempo rugosa. Inspirou o seu aroma. "Porra, era capaz de matar agora por lume". Partiu o cigarro ao meio, e atirou-o para o outro canto da sala.
Tinha o cabelo preso no alto da cabeça. Soltou-o. Sentiu um alívio imediato. Mais ainda queria o cigarro que sabia já não poder levar aos lábios. Teria de permanecer com o sabor doce e ao mesmo tempo, tão amargo, da boca dele. Qualquer coisa seria melhor do que aquela constante recordação dele, mais forte a cada segundo que passava.
Directamente à sua frente, tinha um espelho de corpo inteiro. Viu o seu corpo, naturalmente esguio, quase esquelético. "Podia perder uns quilos".
Decidiu que não iria nunca mais ceder à tentação de provar os lábios dele. Toda a amargura que ele lhe deixara na boca e no coração, depois das palavras vãs, era bem superior ao sentimento momentâneo que o movimento dos seus lábios junto dos dele despertava. Ordenou a si mesma que parasse de pensar em tal coisa, e aí, viu o isqueiro que estivera sempre ao seu lado. No outro lado da sala, estava, partido ao meio, o cigarro que nunca chegaria a fumar.
2.3.12
Whether You Fail Or Fly ♥
E aqui me encontro. A ouvir uns acordes de uma guitarra acústica. Ao meu lado, uma chávena de chá quase vazia. Chá de cidreira, o meu favorito. Precisava daquela bebida quente. Sempre que sorvo um pouco do seu sabor, lembro-me de alguém que queria ter aqui mais perto.
A guitarra cessou. Já não toca. Os seus acordes foram substituídos pelas notas de um piano. Aquele que nunca cheguei a saber tocar.
Tudo está silencioso à minha volta, por isso, a melodia ecoa mais alto do que seria suposto.
Olho para a frente. O rosto da Audrey Hepburn encara o meu e eu sorrio, ao recordar-me de como a sua imagem chegou às minhas mãos.
Sinceramente, comecei a escrever estas palavras para saber o que me viria à memória. Saber se os meus dedos deixariam transparecer o que me vai na mente. A única coisa que me vem à cabeça: "estás zangada?" "estou um bocado". É notório. E justificável.
Só repito para mim mesma: "Se vais fugir, pelo menos tem a decência de correr, em vez de andar". E eu corro, mas na direcção errada. Volto para trás só para abraçar e aconchegar-te. E dizer-te que deixou de ser notório. E que já não precisa de ser justificável.
Amo-te, princesa. E talvez "desculpa" não seja o melhor vocábulo, mas mais nada sei dizer-te.
29.2.12
And I Dream Of Something Wild ♥
Pressinto em cada canto por onde passo, o receio de me perder. De me esquecer de mim e daquilo que (ainda) sou.
É talvez algo irracional, mas o meu engenho sofre a cada inspiração. Nada. Tudo. Uma amálgama de sensações que não consigo explicar. Tudo o que resta de mim pede para ser destruído, e por mais que queira ceder a tal pedido, há algo que, numa ténue e quase destruída esperança, me prende aqui.
Talvez sejam as minhas luzes. As luzes às quais devo tudo de mim.
Permaneçam comigo, pois sei que com (ou por) vocês, encontrarei o caminho de volta para a claridade.
16.2.12
When Will I See You Again? ♥
Coração, é preciso eu gritar mais alto para me ouvires? Perdeste o sentido das minhas palavras no eco que se fez sentir? Apagaste os meus vocábulos, ou nem sequer os quiseste compreender?
Olha sê forte, e não te deixes cair mais uma vez. É só o que te peço. Não chores mais. Assim como um dia acreditaste que irias ficar exangue depois de derramares tantas lágrimas, acredita que toda a dor que sentes irá desaparecer um dia. Acredita que vais ser feliz. E acredita que, mesmo que te sintas sozinha, terás sempre luzes a alumiar-te o caminho.
14.2.12
I (Don't) Know My Destination ♥
"Pára, por um momento e olha à tua volta", digo para mim mesma.
"Já há muito tempo que a tristeza paira em ti, e abraça o teu coração com demasiada força. Há muito tempo que choras e que deixas que a amargura permaneça incrustada no teu ser. Sabes os segundos que já desperdiçaste a tentar conter as lágrimas que acabaram sempre por escorrer-te pela face? Sabes os sorrisos que já deixaste escapar, os momentos aos quais já fechaste os olhos, apenas para te deixares consumir por essa angústia que te destrói um pouco mais, todos os dias? Não fazes ideia daquilo que já sofreste, pois não? Bem sei que tudo o que consegues ver agora é o cansaço e todas as forças que do teu pobre semblante te levaram. Sei que queres desligar-te da luz e daquilo (ou de quem) um dia te fez feliz, mas ouve-me! Não podes fazer isso! Luta por quem acreditas que fará o mesmo por ti. Luta por quem queres. Luta pelas tuas dúvidas. Luta para saberes porquê. Luta para arrancares a verdade do discurso de outrem. Mas, acima de tudo, luta por ti."
4.2.12
Lights Will Guide You Home ♥
Todos os pedacinhos que me foram sendo retirados, tudo o que de mim levaram, paira no ar. E eu quero agarrar essas partículas e voltar a ser quem era, mas as sombras puxam-me para baixo. Vejo tudo aquilo que vivi, todas as memórias que tenho na mente, como fotografias espalhadas no chão, mas apenas consigo agarrar as más, as que me fizeram sofrer. Por mais que tente alcançar a felicidade, ela escapa-se por entre os meus dedos, como se de areia fina se tratasse.
Dou um passo em frente, decidida a continuar o meu caminho, mas sou empurrada para trás, e caio. O meu corpo não sofre, e a minha boca não profere um único som, mas por dentro, choro, grito, suplico ao meu mecanismo que não se deixe afectar. Que continue, com brio e cuidado, a funcionar. Mas talvez lhe peça algo impossível. Ele teima em falhar. Teima em reflectir tudo aquilo que fazem comigo. As minhas luzes? São poucas, e eu não consigo ver o caminho, apenas vou distinguindo os contornos daquilo que me espera. Estou grata por existirem, e por me darem tudo de si, mas também precisam de alumiar o seu caminho, e não lhes posso pedir para que me dêem mais do que já dão.
Obrigada por existirem.
2.2.12
Who Will Fall Far Behind? ♥
Ela já não sabia o que fazer. Revirava-se na cama há horas. Parecia que todas as mágoas lhe tinham afluído à mente num só momento. Não aguentava mais.
Levantou-se. Olhou para o relógio que ele lhe tinha oferecido no dia dos namorados. Marcava 5 horas e 7 minutos. Foi para a cozinha e preparou uma chávena de chá. Pôs-lhe 4 colheres de açúcar. Não suportava chá amargo. Enquanto bebia o chá de cidreira, o seu favorito, enrolada numa manta, olhava pela janela. Apenas um pensamento habitava a sua mente exausta: por que é que ainda tinha aquele relógio na mesa de cabeceira? Por que é que ainda não o tinha deitado fora, assim como ele tinha deitado fora o seu coração? A resposta era simples. Ainda o amava. Esperava que ele voltasse com o seu coração. Mas ela não o queria admitir. Dia após dia, tentava convencer-se que aquele relógio estava lá apenas porque ela gostava dele. Porque o seu engenho a acalmava. Mas na verdade, era porque no som dos seus ponteiros, podia jurar que ouvia o bater do coração dele. Podia jurar que o amor dele não tinha morrido, simplesmente estava confinado naquele relógio, e ele (ainda) não o sabia.
Deu por si a pensar no que ele estaria a fazer naquele preciso momento. A dormir? Ou talvez estivesse a fazer tudo menos dormir. Talvez estivesse com ela. Talvez lhe estivesse a prometer tudo aquilo que um dia lhe prometera a ela. Por um momento, desejou poder avisá-la que tudo o que ele lhe sussurrava eram palavras vãs, juras de amor traiçoeiras, e que ele iria acabar por destruir o seu coração. Mas talvez não fossem. Talvez ele amasse mesmo a outra. Talvez ele acabasse por ficar com ela, e por uma vez, cumprir a tal promessa do "para sempre".
Quando acabou o chá, eram quase 5h30. Mas deixou-se estar a observar aquilo que via da janela.
Os primeiros raios de sol iluminaram a cozinha. Iluminaram também os seus olhos, vermelhos do cansaço, e as olheiras profundas que os rodeavam.
Levantou-se e foi até ao quarto. Olhou de relance para o relógio. 5h53. Quase 6 da manhã. Tinha de conseguir dormir. De repente, sentiu algo diferente. Sentia a casa mais vazia, mais abandonada. Conseguia ouvir a própria respiração. Conseguia ouvir as lágrimas que lhe escorriam agora pela face abaixo. Deitou-se na cama, e assim que os seus cabelos tocaram o tecido claro e macio da almofada, adormeceu. Um sono profundo. Sem sonhos, sem choros. Simplesmente dormiu.
Quando acordou, olhou para o relógio. Ainda marcava as 5h53.
30.1.12
But I Haven't Seen Barbados ♥
Percebe uma coisa: eu não te ando a evitar por seres quem és. Eu ando a evitar-te por ser quem sou. E hoje... oh, hoje foi um dia mau. Os meus pensamentos acumulavam-se em montes inúteis.
Tenho o coração ainda rasurado; a sanidade presa por um fio e todas as memórias possivelmente felizes arquivadas num livro que agora deve estar desfeito em pó. Quando vejo o meu reflexo no espelho, já não reconheço os olhos que aí observo. Estes são mortiços. Não têm vida. Perderam todo o brilho que alguma vez tiveram. E não sei se a culpa será tua. Pode ser minha. Pode ser do tempo que perco a tentar tirar-te do meu pensamento. Pode ser dessas horas que perco sem qualquer resultado.
A minha mente voa pelos mais diversos recantos, mas acaba sempre por parar em ti. Acaba sempre por ir ter ao sítio que eu mais quero evitar. É cansativo. Eu estou cansada. Eras como uma luz que me guiava, mas agora tornaste-te na luz que me encandeia a visão, de tal modo, que eu não consigo ver o caminho à minha frente. A cada passo que dou, arrisco-me a cair do abismo que sei que se aproxima. Mas recuso-me a ficar parada. Não sei se por medo de me encontrares aqui, à espera que te vás embora; se por curiosidade de saber o que encontrarei no fundo desse abismo. Talvez seja um misto dos dois. Assim como tu foste um misto de amor e de desilusão para mim.
29.1.12
I'm Walking With Spiders ♥
O cheiro bafiento da sala de jantar misturava-se com o fumo do cigarro que acabara de acender. Deu um bafo. Não gostava do sabor, mas a sensação era agradável. Levou-o aos lábios mais duas vezes e deitou-o fora.
Olha para ele, sentado numa cadeira, directamente à sua frente. Ele ia dizer-lhe qualquer coisa, mas ela silenciou-o com um gesto. Levantou-se, dirigiu-se até ele e beijou-o. Ele não resistiu, como ele pensara que fizesse. Ao invés, entregou-se totalmente a ela. Agarrou-lhe no cabelo e sentou-a no seu colo. Por entre todas aquelas sensações, o sabor quente e molhado da boca que ela tinha decorado, por entre todos aqueles beijos loucos e selvagens, ela sorriu. Afinal, ele ainda lhe pertencia.
Deteve-se quando ele lhe começou a tirar a camisola. Levantou-se do colo dele, quase tonta de adrenalina e foi até ao armário das bebidas. Tirou a vodka e bebeu, directamente da garrafa. Atirou-a ao chão e viu os recortes de jornal ali espalhados, definharem e a tinta das letras desaparecer.
"Vem comigo", disse-lhe. Ele levantou-se e ela dirigiu-se a uma porta fechada. Rodou a maçaneta enferrujada e a porta abriu-se, rangendo. A divisão estava completamente mergulhada na mais pura escuridão. (Se é que a escuridão pode ser pura). "Entra". Ele entrou. sem a mínima hesitação. "Então ele sempre confia em mim", pensou ela. Entrou de seguida e fechou a porta. Estendeu a mão até ao sítio onde sabia estar o interruptor e acendeu-o.
Sentou-se no chão poeirento. Ele imitou-lhe os movimentos. A sala estava vazia. As duas únicas almas ali presentes: a dele. E a dela.
Estavam sentados frente a frente, mais uma vez. Permaneceram em silêncio, até que ela diz "Para sempre". Ele fica confuso. "O que queres dizer com isso?" "Seremos para sempre réstias daquilo que um dia quisemos ser. Sofremos, chorámos, e no fim, onde é que tudo isso nos trouxe? Até aqui. Até esta sala vazia onde eu sei que estou apenas eu realmente". "Mata-te". "Para quê? Para apodrecer aqui, com nada mais do que uma mera recordação tua, do teu sabor e do cheiro do fumo daqueles cigarros baratos? Não". Levantou-se, saiu, e fechou a porta. Ele não a seguiu. Foi até à sala de jantar. Acendeu outro cigarro e pegou numa réstia de jornal que não se afogara na vodka. Leu as letras grandes e negras: "ELE (JÁ) MORREU".
28.1.12
And Who Do You Think You Are? ♥
Faz hoje um mês. Faz hoje um mês que decidiste separar os nossos caminhos. Faz hoje um mês que me disseste que o que vivemos foi uma mentira.
Um mês de lágrimas, um mês de gritos, um mês de escuridão. Mas não te aches muito importante, não foste só tu a razão pelo qual este meu último mês tenha sido um inferno. Mas foste parte dela, e isso chega.
Isso chega para eu me sentir destruída por ti, embora não queira. Isso chega para me esconder da tua sombra. Isso chega para não conseguir sorrir como antes.
E sabes o que mais chega? Eu viver a minha vida em prol do teu ser. Chega. Acabou.
Porquê? Ainda podes perguntar (embora duvide que o faças). Porque "nós" acabámos. Morremos. Cedemos. Esmorecemos. Agora existo eu. Sem ti. E talvez seja melhor assim. Não para ti. Para mim.
27.1.12
It Takes An Ocean Not To Break ♥
Avô, a tua ausência marcou-me mais do que eu esperava.
A dor que sinto é muito superior àquela que gostava que o meu coração suportasse. Não penses que te queria esquecer, ou que queria ficar indiferente à tua partida; mas também não me queria sentir assim.
Estou permanentemente à beira das lágrimas. Não há um dia em que não chore. Tenho saudades tuas. Da tua voz. E o facto de saber que NUNCA mais vou poder ouvir a tua voz quando me chamavas "pequenina", dói tanto tanto. Custa-me respirar só de saber que nunca mais vou poder sentir os teus braços protectores à minha volta. Tenho os olhos a arder de tanto tentar conter as lágrimas que querem transbordar dos meus olhos castanhos. Castanhos escuros, como os teus.
Tenho saudades tuas. Arrependo-me de não ter passado tanto tempo quanto devia contigo. Enquanto podia. Sinto-me culpada. E essa culpa corrói-me por dentro. Acho que nunca senti nada tão mau assim.
Meu Deus! Eu queria tanto, mas tanto poder ter-te aqui comigo outra vez! Partiste tão repentinamente... Não deste tempo para que me pudesse mentalizar que nunca mais iria ver-te. E isso não é justo para nenhum de nós.
Eu sempre disse que se pudesse voltar atrás no tempo... bem, não voltava, nem alterava nada, mas agora, dava tudo de mim para poder regressar aos segundos, aos dias, aos anos que já passaram, só para poder ter-te comigo novamente, avô. Apetece-me gritar aos quatro cantos do Mundo "Volta, por favor!", mas para quê? Não iria adiantar de nada.
Será que estás a olhar por mim? Será que estás bem?
Oh, e já estou a chorar outra vez... Porquê?! Porque é que isto me afecta tanto? Não devia! Não podia! Tudo desabou, e porquê? Será que sou eu que sou fraca ou és tu que és uma luz muito mais forte, avô?
26.1.12
Please Teach Me Gently How To Breathe ♥
Já não sei se hei-de chorar se hei-de rir. Se rir, é de mim própria. Do quão ridícula me tornei. Estou perdida, num caminho que pensava saber de cor e salteado. Todos os meus passos me levam para um labirinto. E o pior é que eu sei que descobrir a saída dessas paredes geladas que me confinam, será aquilo que não terei força suficiente para fazer.
Quero adormecer. E acordar apenas quando me apetecer. SE me apetecer. Estou farta de fazer apenas coisas erradas. Estou farta de sair sempre por baixo. Não aguento a pressão. Estou cansada de ser a única a ficar mal com as situações. O meu coração já não aguenta as decepções que com tanta naturalidade lhe impõem.
O meu ser já não é o mesmo, compreendam isso. Já não aguento com o peso que põem sobre os meus ombros. Sinto-me feita de vidro, e que a qualquer momento, a minha estrutura pode ceder. Sinto-me a desistir. E isso parece-me bem mais aliciante do que deveria ser.
E as lágrimas salgadas que escorrem agora dos meus olhos são a prova que ainda estou viva. Que, embora fraco, o meu coração ainda bate.
Sinto-me numa espiral descendente que não pára, e não me deixa respirar. Sinto-me sufocada por mim própria. Talvez o meu erro seja procurar aquilo que não existe. Querer aquilo que não posso ter. Talvez deva parar. Simplesmente parar no tempo. Esquecer que existe um Mundo lá fora cheio de impossíveis, e de coisas que nunca vou conseguir alcançar.
Desculp(a)em-me. Vou só apagar todas as luzes e rodear-me daquilo que é igual a mim. O vazio da escuridão.
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