E ontem, tomei contacto com os meus lençóis e adormeci. Esperava um sono sem sonhos, sem tormentos, sem fadiga e choros. Mas quem é que eu quero enganar? Esses momentos de paz, sossego, calma, não me estão destinados. Hoje, sonhei com a minha morte. Sonhei que um anjo tinha vindo para mim, para me levar para junto de Deus. Aproximou-se de mim um ser angelical, com um olhar quase infantil e disse-me que tinha sido enviada por Deus. "Deus veio por mim?" "Não." "Eu vou por Deus?" "Sim." "Eu vou morrer?" Pergunto por entre soluços. "Sim." "Quem és?" "Sou um anjo, e fui enviada por Deus. O meu nome é Margarida." "Porquê?" "Porque Deus espera por ti. E junto d'Ele serás feliz. Estás pronta?" "Pronta?" "Para morrer". Nesse momento, obriguei-me a mim mesma a acordar. E aí, apercebi-me. Eu não quero morrer. Eu não vou morrer, pois não? Por favor, não me deixem morrer.
