pour toujours

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5.4.12

Drink Up Sweet Decadence ♥


Atravessara a estrada a medo. Não estava completamente certa daquilo que planeava fazer. Refugiar-se no escuro talvez ajudasse. Deixar as luzes para trás.
Continuou a andar, acelerando o passo. Embrenhou-se ainda mais nas ruas desconhecias, cujas esquinas a baralhavam. Tudo estava silencioso, por isso, o estranho o som de uma respiração pesada alertou-lhe os sentidos. Sentia-se desconfortável, como se algo não estivesse bem. Talvez não estivesse mesmo. Ou talvez fosse apenas o medo a falar mais alto. 
Lentamente, olhou para trás. Pareceu-lhe adivinhar uma sombra, mas era de certeza apenas um pequeno candeeiro pendurado numa varanda. "Mas não há vento...". 
O ar estava pesado, e ela sentia dificuldade em respirar. Era-lhe difícil manter-se consciente. Sentiu-se a cair, e a última coisa que viu foi o candeeiro apagar-se.
Ele vira-a cair. Vira o medo nos olhos dela quando se voltara para trás e perscrutara o vazio. O vazio onde ele se encontrava. O vazio por onde a seguira, imitando-lhe os passos, desvendando-lhe as rotinas. Quando a vira cair, soubera que estava tudo acabado. Ela morrera, e ele continuaria no vazio, no escuro, como que esperando pela sua alma.

23.3.12

We Still Play Out In The Rain ♥


Olha em frente e perde o olhar no horizonte que se estende perante si. Pega num cigarro e leva-o aos lábios. Acende-o e sorve o fumo. Sente a boca invadida pelo trago amargo e seco do tabaco. Era como se tivesse bebido uma chávena de café forte. Sentiu-se um pouco zonza, e como sempre, isso dizia-lhe que o cigarro estava a fazer o seu efeito.
Adorava aquele sabor. Era toda uma parafernália de sabores e sensações que o resto do mundo desconhecia.
Acaba de fumar e apaga o cigarro com o pé. Sente o ímpeto de pegar em mais um, mas não o faz. Em vez disso, sai do sítio de onde está, quase em passo de corrida. O ar entrava-lhe por entre as fibras do fino casaco castanho. Doíam-lhe os pés, daqueles sapatos de tacão enorme. "Que se lixe, até gosto da sensação". 
Abrandou o passo e sentou-se num banco de jardim. Tirou outro cigarro da mala, e mais uma vez, desfrutou da calma que lhe trazia. Pensou em tudo. E não pensou em nada. 
Gotas pesadas de água começaram a cair. Nesse preciso momento, deixou cair o cigarro no chão molhado. Apagou-se imediatamente.
A chuva levou-lhe o sorriso. Camuflou-lhe as lágrimas. E depois? Depois fez o que sempre fizera. Devolveu-lhe tudo o que lhe tinha tirado e o que sempre lhe pertencera. O seu coração.

18.3.12

Nothing Lasts Forever ♥



Sentou-se na cama. A casa estava silenciosa, talvez deserta. O único vestígio de que estaria possivelmente alguma alma dentro daquelas paredes era o ligeiro movimento do seu peito, ao respirar. Dizia possivelmente, porque tudo poderia não passar de um pesadelo e ela afinal não estar... adormecida. Na escuridão da qual não mais se despediria. 




05.03.2012

4.1.12

Everybody Has A Dark Side ♥


E escrever, estas palavras, a estas horas, porquê?
E existir, porquê existir? Não me interpretem mal, estou grata por estar viva, estou grata por o meu coração ainda bombear o sangue que teima em não me aquecer o suficiente. Estou gelada, realmente. E não há mantas que me aqueçam. Só não sei se é porque a casa é mesmo muito fria ou se o gelo já vem de mim. Talvez venha. Talvez eu seja tão insensível que a ruindade já transpira dos meus poros. Mas não. Eu sei que não é isso. Sou demasiado boa pessoa para que isso aconteça. Ou talvez não. Agora acabei de perder toda a credibilidade, não foi? Não me importa. Na verdade, nestes últimos tempos, pouca coisa tem captado a minha atenção, e ainda menos a tem mantido. Desisti de sair com as pessoas do costume. Aquelas pessoas que não trazem nada de novo à minha vida. E também não tenho paciência para tentar travar conhecimento com novos indivíduos, por isso, permaneço eu, sozinha, e isso até se consegue tornar agradável.
Lá fora, ouço o barulho dos carros. Querer viver numa cidade dá nisto. Agora, bem que preferia estar isolada dos sons também. Não são nada de novo. Não me alegram nem me entristecem, apenas tornam o meu humor imutável, e cada vez mais, a cada dia que passa. Isto é, quando dou pelos dias passarem, porque, na maior das honestidades, dormir é para os fracos. E eu recuso-me a dar parte fraca, por isso, até os meus olhos se fecharem (contra minha vontade, é certo), sou a pessoa mais forte que conheço, e não há nada nem ninguém que me possa tirar essa força, que, na verdade, de nada me serve. Mas deixem-me estar. Enquanto vos ignoro, não vos incomodo. E pedia, (se não fosse pedir muito), que também fizessem o mesmo, que esquecessem a minha presença, porque quando morrer, quero apodrecer sem ninguém se lembrar. Dispenso os olhares de pena, os "coitadinha...". Dispenso tudo isso. E não me tentem convencer do contrário.


30 de Dezembro de 2011

Eu nem sei de onde saiu este texto... Da parte mais negra da minha mente, suponho. Everybody has a dark side, right?