pour toujours

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8.4.12

Whistling My Name ♥


Perco-me no silêncio das pessoas que sei que estão lá fora. Perco-me na minha própria respiração, e no bater regular do meu coração.
Lá fora, há-de pairar o desastre, a agonia e a confusão. É por isso que permaneço aqui. Para que amanhã ainda possa acordar e ver-me sorrir. Para que amanhã ainda queira acordar.
Alguém bate à porta. Vou abrir. Não está lá ninguém. (Não estás lá tu). 


(Meus amores lindos, já somos 202! Nem sei como vos agradecer! Obrigada por todo o apoio que me têm dado, pelos elogios, pela presença. Juro que nunca pensei que houvesse tanta gente disposta a ler as minhas palavras, a aturar os meus devaneios. Tanta gente pronta a limpar as minhas lágrimas e a pôr-me um sorriso na cara. Tanta gente que fica feliz quando eu estou feliz. Muito obrigada, nem sei bem o que vos posso dizer, além de que vos adoro, mesmo, e que por mim, estaria ao vosso lado, fisicamente, todos os dias. Dar-vos-ia um abraço bem apertado quando chorassem e partilharia os vossos sorrisos e triunfos. Obrigada, por tudo, sempre.)  

6.4.12

My Heart Will Go On ♥


Afasta-te. Corre. Sai daí. Nunca mais voltes. Deixa esse lugar que tanto teima em prender-te. Acabou, já acabou tudo, será que não percebes? Ele não te ama. Ele não precisa de ti. Não perde o seu tempo a chorar por ti ou a pensar no que há-de fazer para te reconquistar. Ele não quer os teus beijos, não quer o teu toque.
Não grita o teu nome quando precisa de alguém. Ele avançou. Há 3 meses que ele avançou. Faz o mesmo, criatura de Deus! Por mais que te custe ter de abdicar do seu perfume, do calor das suas mãos. Por mais que te custe ter de largar o seu coração. Avança. Esquece-o, porque assim não vais conseguir ser feliz. Percebe uma coisa, "longe da vista, longe do coração", e não o podes ver se o queres deixar no passado, por mais que queiras passar pelos sítios onde ele está, encostar o teu corpo no dele e não ouvir aquilo que as outras pessoas dizem. Por mais que precises dele, aprende a viver sem a sua presença, criatura de Deus!

2.4.12

He's The One I'm Leaving You For ♥


É verdade. O meu coração bate por ti. A minha voz chama por ti. Os meus lábios anseiam por que lhes juntes os teus. É assim, o meu amor por ti. Veio de surpresa. Tomou-me de assalto e alegrou os meus dias. Tal como alegrou os teus. 
Eu sei-o. Consigo vê-lo no teu olhar, senti-lo o teu toque. Oiço as tuas palavras sussurradas no meu ouvido, e é como se voasse. Como se conseguisse levantar voo para um mundo só nosso. 
Anda ter comigo, meu amor, e eu prometo-te que seremos felizes.

31.3.12

Turn Around Bright Eyes ♥


Deixa-me correr para ti e deitar o meu corpo nos teus braços. Deixa-me ficar contigo, protegida de todas as dúvidas que me assolam a mente. Permanece comigo, acalenta-me o ser e entende que os meus olhos só brilham quando estou do teu lado. Vês a nossa cumplicidade? Vês todos os momentos que já partilhámos juntos antes de decidirmos unir os nossos corações? Foram eles que fomentaram este nosso amor. Foram todas essas conversas, todos esses olhares, que nos trouxeram até onde estamos hoje. 
E olha, "Se eu fosse um dia o teu olhar, e tu as minhas mãos também. Se eu fosse um dia o respirar, e tu perfume de ninguém. Se eu fosse um dia o teu olhar". O teu olhar que me encanta. Tu sabes.   

28.3.12

Promise You Remember That You're Mine ♥


Sabes que sou insegura. Sabes que me custa acreditar nas palavras que me dizem... E quando me proferem  
"Eu amo-te, acredita em mim. Juro.", o meu coração não sabe no que há-de acreditar.
Sim, é verdade que eu te amo, não o posso negar, e és realmente muito importante para mim. Não foram raras, as vezes em que me imaginei do teu lado, a respirar o mesmo ar que tu, com os teus dedos entrelaçados nos meus. É simplesmente algo que consigo ver. É algo que me traz conforto. Alegria. E aquele nervosismo miudinho.
É por isso que eu te peço: se me amas, se me amas realmente, como dizes, não me mintas. Não deixes que isto seja mais uma ilusão, de falsas palavras, falsos gestos e sentimentos. Não deixes que isto seja mais um falso amor; porque esses, já eu os vivi, e não os quero mais junto ao meu coração, que só agora começa a bater de novo, esperando a cura que só alguém como tu lhe pode dar. 
Não transformes as tuas palavras em mais um tiro, directo ao meu coração. Porque se assim for, isso destruir-me-à. Tu sabes que sim!
Espero pelo dia de amanhã, e pela prova que insistes em dar-me. Espero pela felicidade. Pela liberdade. Espero pelo amor. Espero por ti. Por favor, cuida bem do meu coração.

26.3.12

But I Still Remember That Day We Met In December ♥


É como andar sobre vidros partidos. Pensar no que fazer.
É doloroso, e quiçá desnecessário, porque a minha decisão estava tomada desde o início. É uma dor imposta por mim mesma, porque eu sempre soube o que queria fazer. A minha decisão mantém-se. A minha muralha continua erguida. Continua forte, e eu, dentro dela, protegida. Dentro da redoma do meu orgulho. 
Continuarei no silêncio, no exílio, no túnel. O meu corpo permanecerá onde está. A minha mente,  essa, vagueará, mas manter-se-á fiel. Fiel aos seus próprios princípios improvisados. Afinal, há sempre uma primeira vez para tudo, não é?

25.3.12

I Tell My Love Wreck It All ♥


Via o sorriso desenhado no seu rosto. Os olhos, brilhando docemente, por entre todas as memórias que já vivera. O cabelo, outrora baço, irradiava agora luz. A boca, com os lábios pequenos e rosados, era o cerne de tudo. Por entre cada uma das suas feições, conseguia descortinar as palavras que nunca dissera. Os beijos que nunca dera. Nos seus braços, adivinhava os corpos que nunca segurara. As mãos, ainda quentes do calor outrora partilhado, encontravam-se agora vazias. Abertas, na esperança de que algum ser quisesse dividir os seus átomos consigo. Enquanto tal não acontecia, aguardava, pacientemente, como quem espera pela vida.
Sentia no ar em seu redor o perfume, sempre forte, de quem um dia lhe limpara as lágrimas que não mais escorreram dos seus olhos infantis. Ouvia ainda todas as melodias trocadas com o aparelho vocal que pertencera em dias à sua outra metade, em tons graves e agudos, que iam sendo inventadas na escala musical. Tudo se resumia às vivências que hoje não passavam de recordações. De meros suspiros lançados ao vento. Tudo se resumia a um tornado de sensações que nunca na sua vida teria impedido de seguir o seu curso. Tudo se resumia a nada. 
Afastou-se do espelho.

24.3.12

We Could've Had It All ♥



Entrou na sala mal iluminada. Os seus olhos pousaram automaticamente na mesa, velha e empoeirada onde receava encontrar mais uma carta. Os seus medos tinham razão de ser.
Dirigiu-se, de passo leve e incerto, até à mesa, e, com cuidado, com as mãos que tremiam levemente, abriu o papel dobrado em quatro. Leu as palavras nele contidas. 

"Será ela capaz de fazer tudo o que eu fazia?
Será ela capaz de te entender, como eu sempre fiz? Será ela aquilo que queres?
E aquilo que vias em mim? Vês também nela? Espero que não, porque se assim for, apenas arranjaste uma cópia reles da minha pessoa, e isso eu não admito. Tiveste o original nas tuas mãos, porque foste à procura de quem fosse capaz de preencher aquilo que eu já preenchia?
Digo que ela é uma cópia da minha pessoa, mas não deveria. Não deveria ousar comparar-me a tal ser.
Não me chames de convencida, porque ambos sabemos que é a verdade. Ambos sabemos que poderíamos ter tido tudo, mas que tu preferiste ficar com a fotocópia a preto e branco." 


No seu quarto, claro e luminoso, acabara de escrever a carta. Deixá-la-ia em cima da mesa já velha e poeirenta que comprara com ele, quando ainda viviam na felicidade.
Após a ter lido e relido,  suprimiu uma lágrima, e ao invés, soltou um sorriso.
A outra não era a cópia de ninguém. E ambas sabiam disso. Beijou a folha. Os seus lábios vermelhos e carnudos deixaram uma marca de batom. Ele leria a carta. E nesse preciso momento, saberia que fizera a escolha certa.

22.3.12

Past The Point Of No Return ♥


E é um desapego tal que não me incomoda a mente nem o coração.
Reconheço que raramente sou fria para quem me magoa. Mas tenho limites.
Odiando fazê-lo, quebro as minhas promessas. Mas é para o meu próprio bem, por isso, faço-o. Coisa rara, que o meu engenho estranha e quer contrariar. Mas não posso deixar que isso aconteça. Passei o ponto sem retorno, ou pelo menos, esforço-me para o fazer.
Preciso de eliminar de vez as réstias de sofrimento que me tatuaram no coração. É um processo doloroso. Foi um processo doloroso, digo. Porque já nada aqui resta. Nada do que me fez chorar. Nada do que me fez duvidar do meu sorriso. 
É complicado abdicar das promessas outrora feitas. Para mim, é. O ser humano é um ser egoísta, que fará tudo para se proteger a si próprio e salvaguardar o seu coração, e remei muito tempo contra essa maré. 
Preciso de me proteger. Ou então colapso. E isso, desprezo.
Passei o ponto sem retorno. E não me incomoda a mente nem o coração.  

21.3.12

Take That Body Downtown ♥


Estava tudo tal e qual como deixara. As cadeiras estavam arrumadas da mesma forma, o mesmo guardanapo sujo estava sobre o balcão da cozinha. A torneira continuava a pingar as mesmas gotas de água por minuto. A falha na tinta da parede do quarto não tinha aumentado nem sido corrigida.
Ele tinha razão. Ela nem daria mais pela sua existência. Ele prometera-lhe que seria como se nunca tivesse existido. 
Mas a verdade era que ainda existia. Mesmo não se notando. Mesmo que ele tivesse feito tudo para que o coração dela não doesse mais, após ter ouvido as suas palavras.
Ele ainda permanecia na mente dela, tão vivo como quando o vira pela última vez. Ainda conseguia sentir o sabor da sua boca e o seu cheiro continuava impregnado no nariz. Ele ainda vivia. Então, porque tinha morrido? 

18.3.12

Nothing Lasts Forever ♥



Sentou-se na cama. A casa estava silenciosa, talvez deserta. O único vestígio de que estaria possivelmente alguma alma dentro daquelas paredes era o ligeiro movimento do seu peito, ao respirar. Dizia possivelmente, porque tudo poderia não passar de um pesadelo e ela afinal não estar... adormecida. Na escuridão da qual não mais se despediria. 




05.03.2012

15.3.12

Tell Me All The Things You Want To Do ♥



Parou.
Numa rua deserta.
Estava cansada. Cansada de tudo.
Não parara um segundo desde que saíra. 
Os ares estavam pesados, como que adivinhando mais uma chuvada, ou talvez algo mais. E a vegetação que via a seu lado era mortiça, como se nunca tivesse sequer florescido. Ouvia algo, mas talvez fosse a sua imaginação. 
Não se lembrava como fora ali parar... Não tinha nada a não ser um casaco, uma caneta e um caderno. E um chapéu-de-chuva imaginado.
Teria começado esta viagem para escrever? Desenhar? Fugir? 
Fugir de quem? De quê?
De si própria, talvez.
Mas já nem isso sabe...
Não fora feita para entender os recantos da sua mente. Retorcida e complicada. Como a arquitectura de uma igreja.
Sentou-se. No chão. Ali mesmo. No asfalto molhado e frio.
Sentou-se, para nunca mais ter de se levantar. 
Para ficar ali para sempre. Isolada de tudo, no sossego.
Começara a chover.
A chuva não a incomodava, muito pelo contrário, sempre achara que lhe fazia bem. Para limpar as ideias, e levar todo o pessimismo numa enxurrada. E seria precisamente isso que faria, mais uma vez.
Sim, a chuva sempre lhe fizera bem.

14.3.12

Louder Than Bells ♥


Há muito tempo que não se sentia assim. Enquanto bebericava um pouco do café quente que acabara de fazer, observou a sala à sua volta. Num canto, uma pequena mesa, repleta de revistas e manuais de fotografia. Do lado esquerdo da mesa, via-se uma janela, redonda, com vista para a rua em frente. Aproximou-se da janela e observou o mundo exterior. Estava uma noite escura, e a única presença luminosa era a lâmpada tremeluzente de um candeeiro de rua. Na estrada, alguns carros iam passando, em intervalos de tempo irregulares. Desviou o olhar da janela. Pegou num dos manuais e folheou-o rapidamente, prestando atenção apenas às cores presentes nas imagens. De repente, parou bruscamente numa das páginas e observou a fotografia aí contida. Era a imagem de uma rapariga, extremamente parecida com ela. A rapariga sorria, e tinha os longos cabelos repletos de flores. Margaridas. Arrancou a folha, com cuidado, e com fita-cola, colou-a na parede. Aquela, era a imagem do que sentia. Um sorriso no rosto, e o cabelo repleto de flores. A liberdade  que pairava no seu olhar. E há muito tempo que não se sentia assim.  

11.3.12

Yet I'm Cold To The Core ♥


Às vezes, ando pela casa, e do nada, apareces na minha mente. Tu e um enorme conjunto de perguntas. Pergunto-me o que terei feito de errado para que não me amasses. Pergunto-me o que foi que te passou pela cabeça da primeira vez que disseste que me amavas e quando decidiste separar-nos. A minha cabeça dá voltas e voltas, sem nunca conseguir arranjar uma solução para uma tão complicada e inexplicável equação. As tuas atitudes são uma incógnita, e os meus pensamentos, a multiplicação de todas as perguntas que deixaste na minha mente e no meu coração. 
Sempre gostei de desafios, mas este é demasiado complicado para que o consiga desvendar. Tu és demasiado complicado para que eu consiga perceber onde raio é que tinhas a cabeça quando me mentiste daquela maneira. Quando iludiste os meus sentidos e fizeste com que me apaixonasse por ti. Que merda é que foste fazer?
Mas enfim, o que está feito, feito está, e não preciso que venhas soltar o nó que deste na minha cabeça. Aliás, mesmo que precisasse, não virias. Tu és assim mesmo. Eu mesma o soltarei, e farei dele um laço, para tentar embelezar o negrume, as feridas e as blasfémias. 
Sabes uma coisa? Eu tanto lutei para arranjar uma mera resposta, que percebi que simplesmente, há coisas que não se explicam. E tu és uma delas. A única coisa que posso fazer para ter uma pequena luz, um pequeno vislumbre da solução é ignorar. Atirar(-te) para trás das costas e seguir caminho. Porque, mesmo sem resposta, já percebi que eu não fiz nada de errado. Foste só mesmo tu que conseguiste destruir o que quer que tenhamos começado a construir. Se é que começámos a construir alguma coisa. 
Já lá vão os tempos em que julgava que existiam seres humanos que roçavam a perfeição. 

4.3.12

Talking To The Moon ♥


É verdade doce. Nunca escrevi um texto a ti dirigido. Talvez por a nossa amizade, embora forte, tenha pouco tempo de existência. Mas sabes? Ontem foi-me provado que o tempo não interessa para nada. O importante é o coração e o pensamento estarem em sintonia. O importante é os nossos semblantes se quererem ajudar a levantar mutuamente. E é como te disse, estarei aqui quando deixares de acreditar no mundo. Estarei contigo quando julgares que já não tens mais caminho a percorrer, e contigo, desenharei mais um conjunto de destinos para onde ir.
Já fizeste tanto, tanto por mim, que às vezes me pergunto como é que ainda tens força para respirares por ti.
Meu anjo, prometo-te: afastar-nos-emos da estrada, e correremos para um sítio só nosso, onde a mesa com chá e bolachas em forma de laço nos esperam. E quando aí nos encontrarmos finalmente, terei para ti um abraço e um abanão. Porque sei que ambas precisamos.
Não te esqueças que quando perderes o equilíbrio, nesta corda bamba que todos os dias percorremos, eu irei estar mesmo à tua frente, para te agarrar com toda a força e não te deixar cair.
E olha? Gosto imenso de ti, não te esqueças, está bem?      

3.3.12

'Cause Your Presence Still Lingers Here ♥


Ouvia o silêncio que pairava à sua volta. A sala estava fria. As mãos, mesmo dentro das luvas, estavam geladas. Tinha conseguido cravar um cigarro ao velho da esquina, mas não tinha lume. Pegou no cigarro e observou-o, com olhos de ver. Retirou as luvas e sentiu bem nos seus dedos a textura suave, mas ao mesmo tempo rugosa. Inspirou o seu aroma. "Porra, era capaz de matar agora por lume". Partiu o cigarro ao meio, e atirou-o para o outro canto da sala.
Tinha o cabelo preso no alto da cabeça. Soltou-o. Sentiu um alívio imediato. Mais ainda queria o cigarro que sabia já não poder levar aos lábios. Teria de permanecer com o sabor doce e ao mesmo tempo, tão amargo, da boca dele. Qualquer coisa seria melhor do que aquela constante recordação dele, mais forte a cada segundo que passava. 
Directamente à sua frente, tinha um espelho de corpo inteiro. Viu o seu corpo, naturalmente esguio, quase esquelético. "Podia perder uns quilos". 
Decidiu que não iria nunca mais ceder à tentação de provar os lábios dele. Toda a amargura que ele lhe deixara na boca e no coração, depois das palavras vãs, era bem superior ao sentimento momentâneo que o movimento dos seus lábios junto dos dele despertava. Ordenou a si mesma que parasse de pensar em tal coisa, e aí, viu o isqueiro que estivera sempre ao seu lado. No outro lado da sala, estava, partido ao meio, o cigarro que nunca chegaria a fumar. 

2.3.12

Whether You Fail Or Fly ♥


E aqui me encontro. A ouvir uns acordes de uma guitarra acústica. Ao meu lado, uma chávena de chá quase vazia. Chá de cidreira, o meu favorito. Precisava daquela bebida quente. Sempre que sorvo um pouco do seu sabor, lembro-me de alguém que queria ter aqui mais perto.
A guitarra cessou. Já não toca. Os seus acordes foram substituídos pelas notas de um piano. Aquele que nunca cheguei a saber tocar.
Tudo está silencioso à minha volta, por isso, a melodia ecoa mais alto do que seria suposto.
Olho para a frente. O rosto da Audrey Hepburn encara o meu e eu sorrio, ao recordar-me de como a sua imagem chegou às minhas mãos.
Sinceramente, comecei a escrever estas palavras para saber o que me viria à memória. Saber se os meus dedos deixariam transparecer o que me vai na mente. A única coisa que me vem à cabeça: "estás zangada?" "estou um bocado". É notório. E justificável.
Só repito para mim mesma: "Se vais fugir, pelo menos tem a decência de correr, em vez de andar". E eu corro, mas na direcção errada. Volto para trás só para abraçar e aconchegar-te. E dizer-te que deixou de ser notório. E que já não precisa de ser justificável.
Amo-te, princesa. E talvez "desculpa" não seja o melhor vocábulo, mas mais nada sei dizer-te.

29.2.12

And I Dream Of Something Wild ♥


Pressinto em cada canto por onde passo, o receio de me perder. De me esquecer de mim e daquilo que (ainda) sou.
É talvez algo irracional, mas o meu engenho sofre a cada inspiração. Nada. Tudo. Uma amálgama de sensações que não consigo explicar. Tudo o que resta de mim pede para ser destruído, e por mais que queira ceder a tal pedido, há algo que, numa ténue e quase destruída esperança, me prende aqui.
Talvez sejam as minhas luzes. As luzes às quais devo tudo de mim.
Permaneçam comigo, pois sei que com (ou por) vocês, encontrarei o caminho de volta para a claridade.

27.2.12

Close Enough To Start a War ♥



E cá estou eu, mais uma vez, agarrada às palavras que já devia ter deixado ir há muito tempo. Cá permanecem a amargura, a tristeza e todos aqueles vocábulos que já devia ter alienado do meu ser. 
O sol já nasceu e já se pôs centenas e centenas de vezes. Eu já acordei e já adormeci outras tantas. Já acordei quando tudo o que queria era nunca mais abrir os olhos. E no entanto, continuo aqui. Em certos dias, contra  minha vontade. Hoje, talvez seja um desses dias. Mas e daí, talvez já não saiba nada, pelo meio de todo o que conhecimento que vai escorrendo pelos meus olhos.
E as palavras que teimam em não se afastar do meu coração. E os sons que quero abafar. As vozes que quero calar e as pessoas que quero trazer para perto de mim. 
O meu amor? Por onde anda esse sentimento tão ingrato?
Não sei, nem quero saber, se isso importa para alguém que ainda absorva as minhas palavras. Desde que não se encontre plantado do lado daqueles que tantas vezes o mutilaram, chegando mesmo ao ponto de ele se querer anular.
Hoje, cessou mais uma vida que eu conhecia. Mais um coração que pertencia ao meu círculo, desistiu e encerrou os seus batimentos. Pena é não ter sido o meu.

26.2.12

Kissing In The Blue Dark ♥


Sentou-se no chão frio e sujo daquela casa que nunca tomara como sua. Olhou para o vazio durante muito tempo. Não chorou, não sorriu. Não disse uma única palavra. Ao seu lado, tinha um maço de tabaco, um isqueiro, uma tesoura, um bloco e uma caneta. Não lhe apetecia escrever. Tirou um cigarro do maço e acendeu-o. Deu apenas um bafo até se decidir a pegar no raio da caneta e escrever uma palavra que fosse. 
"MENTIRA" 
Riscou a palavra com tanta raiva que rasgou a folha. Atirou a caneta para bem longe, e com o isqueiro, queimou o bloco. 
Pegou na tesoura.
Lá fora, escurecera entretanto, mas ela não o saberia.