pour toujours

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16.4.12

Blindsided ♥


 (Não pares). Uma lágrima salgada escorre pela face do homem. Do homem sentado numa esquina. As mãos sujas, os cabelos desgrenhados, o estômago colado às costas. As pernas magras e fracas que não o aguentam em pé. (Não pares). O homem não sabe como foi ali parar. Reza pela morte do mundo cruel, áspero. O mundo negro e apodrecido que apenas vai matando corações. (Não pares). Não pares um segundo para o olhar o homem parado na esquina. O homem que abandonaram. Sabes que idade tem? (Não pares). Sabes? (Não pares). Ignora. (Não pares). Mata-o. (Pára). Agora já paras? Pega numa arma e mata-o. Não? Não és capaz de pegar numa faca e esventrar o seu corpo? Abominas pegar numa espingarda e enfiar uma bala no seu cérebro? Então, porque o ignoras? (Não pares). (Pára).

11.4.12

It's Like A Dark Paradise♥


Mas por que é que eu sou tão estúpida? Não faz sentido absolutamente nenhum.
Hoje, estava decidida a falar contigo. E não fui. Porque sou uma cobarde. E porque tenho medo, muito medo de qual possa ser o desfecho final. Quase corri ao teu encontro, decidida a dizer-te tudo o que ainda guardo dentro de mim. Todas as palavras que ficaram por ouvir e por mencionar. Mas tu não estavas lá. Não estavas, e a minha coragem foi esmorecendo... Como sempre, a minha força vai diminuindo, ao ponto de se mostrar quase nula, e de me deixar num canto, fraca e indefesa, contra os meus próprios pensamentos. Esses pensamentos que se aglomeram em manchas negras, como que nuvens adivinhando uma tempestade. Por que é que eu sou tão cobarde? Tão estúpida, tão parva. Tão FRACA?!
Estou cansada de nunca levar as coisas até ao fim. E disso, só me posso culpar a mim. Estúpida.

11.3.12

Yet I'm Cold To The Core ♥


Às vezes, ando pela casa, e do nada, apareces na minha mente. Tu e um enorme conjunto de perguntas. Pergunto-me o que terei feito de errado para que não me amasses. Pergunto-me o que foi que te passou pela cabeça da primeira vez que disseste que me amavas e quando decidiste separar-nos. A minha cabeça dá voltas e voltas, sem nunca conseguir arranjar uma solução para uma tão complicada e inexplicável equação. As tuas atitudes são uma incógnita, e os meus pensamentos, a multiplicação de todas as perguntas que deixaste na minha mente e no meu coração. 
Sempre gostei de desafios, mas este é demasiado complicado para que o consiga desvendar. Tu és demasiado complicado para que eu consiga perceber onde raio é que tinhas a cabeça quando me mentiste daquela maneira. Quando iludiste os meus sentidos e fizeste com que me apaixonasse por ti. Que merda é que foste fazer?
Mas enfim, o que está feito, feito está, e não preciso que venhas soltar o nó que deste na minha cabeça. Aliás, mesmo que precisasse, não virias. Tu és assim mesmo. Eu mesma o soltarei, e farei dele um laço, para tentar embelezar o negrume, as feridas e as blasfémias. 
Sabes uma coisa? Eu tanto lutei para arranjar uma mera resposta, que percebi que simplesmente, há coisas que não se explicam. E tu és uma delas. A única coisa que posso fazer para ter uma pequena luz, um pequeno vislumbre da solução é ignorar. Atirar(-te) para trás das costas e seguir caminho. Porque, mesmo sem resposta, já percebi que eu não fiz nada de errado. Foste só mesmo tu que conseguiste destruir o que quer que tenhamos começado a construir. Se é que começámos a construir alguma coisa. 
Já lá vão os tempos em que julgava que existiam seres humanos que roçavam a perfeição. 

30.1.12

But I Haven't Seen Barbados ♥


Percebe uma coisa: eu não te ando a evitar por seres quem és. Eu ando a evitar-te por ser quem sou. E hoje... oh, hoje foi um dia mau. Os meus pensamentos acumulavam-se em montes inúteis. 
Tenho o coração ainda rasurado; a sanidade presa por um fio e todas as memórias possivelmente felizes  arquivadas num livro que agora deve estar desfeito em pó. Quando vejo o meu reflexo no espelho, já não reconheço os olhos que aí observo. Estes são mortiços. Não têm vida. Perderam todo o brilho que alguma vez tiveram. E não sei se a culpa será tua. Pode ser minha. Pode ser do tempo que perco a tentar tirar-te do meu pensamento. Pode ser dessas horas que perco sem qualquer resultado. 
A minha mente voa pelos mais diversos recantos, mas acaba sempre por parar em ti. Acaba sempre por ir ter ao sítio que eu mais quero evitar. É cansativo. Eu estou cansada. Eras como uma luz que me guiava, mas agora tornaste-te na luz que me encandeia a visão, de tal modo, que eu não consigo ver o caminho à minha frente. A cada passo que dou, arrisco-me a cair do abismo que sei que se aproxima. Mas recuso-me a ficar parada. Não sei se por medo de me encontrares aqui, à espera que te vás embora; se por curiosidade de saber o que encontrarei no fundo desse abismo. Talvez seja um misto dos dois. Assim como tu foste um misto de amor e de desilusão para mim.

29.1.12

I'm Walking With Spiders ♥


O cheiro bafiento da sala de jantar misturava-se com o fumo do cigarro que acabara de acender. Deu um bafo. Não gostava do sabor, mas a sensação era agradável. Levou-o aos lábios mais duas vezes e deitou-o fora. 
Olha para ele, sentado numa cadeira, directamente à sua frente. Ele ia dizer-lhe qualquer coisa, mas ela silenciou-o com um gesto. Levantou-se, dirigiu-se até ele e beijou-o. Ele não resistiu, como ele pensara que fizesse. Ao invés, entregou-se totalmente a ela. Agarrou-lhe no cabelo e sentou-a no seu colo. Por entre todas aquelas sensações, o sabor quente e molhado da boca que ela tinha decorado, por entre todos aqueles beijos loucos e selvagens, ela sorriu. Afinal, ele ainda lhe pertencia.
Deteve-se quando ele lhe começou a tirar a camisola. Levantou-se do colo dele, quase tonta de adrenalina e foi até ao armário das bebidas. Tirou a vodka e bebeu, directamente da garrafa. Atirou-a ao chão e viu os recortes de jornal ali espalhados, definharem e a tinta das letras desaparecer.
"Vem comigo", disse-lhe. Ele levantou-se e ela dirigiu-se a uma porta fechada. Rodou a maçaneta enferrujada e a porta abriu-se, rangendo. A divisão estava completamente mergulhada na mais pura escuridão. (Se é que a escuridão pode ser pura). "Entra". Ele entrou. sem a mínima hesitação. "Então ele sempre confia em mim", pensou ela. Entrou de seguida e fechou a porta. Estendeu a mão até ao sítio onde sabia estar o interruptor e acendeu-o. 
Sentou-se no chão poeirento. Ele imitou-lhe os movimentos. A sala estava vazia. As duas únicas almas ali presentes: a dele. E a dela.
Estavam sentados frente a frente, mais uma vez. Permaneceram em silêncio, até que ela diz "Para sempre". Ele fica confuso. "O que queres dizer com isso?" "Seremos para sempre réstias daquilo que um dia quisemos ser. Sofremos, chorámos, e no fim, onde é que tudo isso nos trouxe? Até aqui. Até esta sala vazia onde eu sei que estou apenas eu realmente". "Mata-te". "Para quê? Para apodrecer aqui, com nada mais do que uma mera recordação tua, do teu sabor e do cheiro do fumo daqueles cigarros baratos? Não". Levantou-se, saiu,  e fechou a porta. Ele não a seguiu. Foi até à sala de jantar. Acendeu outro cigarro e pegou numa réstia de jornal que não se afogara na vodka. Leu as letras grandes e negras: "ELE (JÁ) MORREU".   

28.1.12

And Who Do You Think You Are? ♥



Faz hoje um mês. Faz hoje um mês que decidiste separar os nossos caminhos. Faz hoje um mês que me disseste que o que vivemos foi uma mentira.
Um mês de lágrimas, um mês de gritos, um mês de escuridão. Mas não te aches muito importante, não foste só tu a razão pelo qual este meu último mês tenha sido um inferno. Mas foste parte dela, e isso chega.
Isso chega para eu me sentir destruída por ti, embora não queira. Isso chega para me esconder da tua sombra. Isso chega para não conseguir sorrir como antes.
E sabes o que mais chega? Eu viver a minha vida em prol do teu ser. Chega. Acabou. 
Porquê? Ainda podes perguntar (embora duvide que o faças). Porque "nós" acabámos. Morremos. Cedemos. Esmorecemos. Agora existo eu. Sem ti. E talvez seja melhor assim. Não para ti. Para mim.

26.1.12

Please Teach Me Gently How To Breathe ♥


Já não sei se hei-de chorar se hei-de rir. Se rir, é de mim própria. Do quão ridícula me tornei. Estou perdida, num caminho que pensava saber de cor e salteado. Todos os meus passos me levam para um labirinto. E o pior é que eu sei que descobrir a saída dessas paredes geladas que me confinam, será aquilo que não terei força suficiente para fazer. 
Quero adormecer. E acordar apenas quando me apetecer. SE me apetecer. Estou farta de fazer apenas coisas erradas. Estou farta de sair sempre por baixo. Não aguento a pressão. Estou cansada de ser a única a ficar mal com as situações. O meu coração já não aguenta as decepções que com tanta naturalidade lhe impõem. 
O meu ser já não é o mesmo, compreendam isso. Já não aguento com o peso que põem sobre os meus ombros. Sinto-me feita de vidro, e que a qualquer momento, a minha estrutura pode ceder. Sinto-me a desistir. E isso parece-me bem mais aliciante do que deveria ser. 
E as lágrimas salgadas que escorrem agora dos meus olhos são a prova que ainda estou viva. Que, embora fraco, o meu coração ainda bate. 
Sinto-me numa espiral descendente que não pára, e não me deixa respirar. Sinto-me sufocada por mim própria. Talvez o meu erro seja procurar aquilo que não existe. Querer aquilo que não posso ter. Talvez deva parar. Simplesmente parar no tempo. Esquecer que existe um Mundo lá fora cheio de impossíveis, e de coisas que nunca vou conseguir alcançar.
Desculp(a)em-me. Vou só apagar todas as luzes e rodear-me daquilo que é igual a mim. O vazio da escuridão.

23.1.12

I'm Not Scared Of Your Stolen Power ♥


Escrevo. Escrevo pois nada mais posso fazer.
Congelada, interiorizo aquilo que ainda consigo assimilar, por entre os destroços do que outrora fora algo mais do que uma amálgama  de edifícios destruídos e corpos que jazem, despidos e mutilados, no chão.
Esta guerra, assim como todas as outras que sofremos, não faz sentido. Tudo o que temos tido é guerra. Batalhas. Explosões. Mortes. Feridos. Dor. Perda. Sofrimento.
Quantas mais vidas terão de ser ceifadas, para que, finalmente, os senhores do ouro, do poder e dos diamantes de sangue se retraiam, e deixem de profanizar a vida?
O meu corpo congelou, os meus sentidos entraram em degelo, e agora, não são nada mais que as meras gotas de suor que escorrem pela face de quem não dorme para sobreviver.

"Escorre sangue pelo ouro, em directo na TV.
Embora doa...  (...) 
Nada fiz para mudar
Nada vai mudar!"

22.1.12

Where He Slowly Let Me Drown ♥


Aparentemente, o meu subconsciente mantém-se fiel à tua pessoa, mesmo quando não tem de o fazer. Odeio-o por isso. Porque, quando em sonhos me afogas, me matas, ainda grito um "amo-te", por entre golfadas de ar impossíveis. Enquanto engolia aquela água estagnada, forçada aos meus pulmões, pelas tuas mãos, ainda era o teu nome que os meus lábios tentavam pronunciar.  Ainda era por ti que chamava, a quem pedia socorro. Foi por isso que morri. Pedi ajuda ao meu próprio assassino.
"Foi só um sonho". Era o que eu queria que me dissesses, quando me lançasse de novo para os teus braços. Mas o facto de não o poder fazer, torna tudo assustadoramente mais real.
Eu via, os teus olhos, cheios de raiva, ódio. Possuídos por uma loucura que se tornou fatal para o meu coração.
Tu mataste-me.
E eu acordei. Com o peito pesado, lágrimas a escorrer-me pela cara, e uma sensação de vazio avassaladora. Comecei a tremer. De frio, de raiva, de medo. E não via nada. Estava escuro como breu. Por momentos pensei mesmo que tivesse morrido, que aquilo fosse a tal "vida depois da morte" de que se fala. Mas não. Era  o meu quarto. Ainda só não decidi se fiquei feliz ou desiludida por isso.

21.1.12

If I'm Wrong, I Am Right ♥


Consegues olhar-me nos olhos e dizer-me que os nossos momentos não significaram nada para ti? Consegues olhar directamente para a minha alma e dizer-me, que por um segundo que fosse, nunca me amaste?
E agora? Será que te apercebeste do tremendo erro que cometeste? Será que houve finalmente algo aí que passou a fazer sentido? Ou será que és mesmo um caso perdido? Destinado a permanecer no meu passado, no teu nunca e na ilusão de um "nós"? 
Será que os nossos momentos te vêm à cabeça, nas alturas em que menos esperas? Será que te lembras do meu sorriso, que tanto elogiavas, quando estás a tentar não pensar em nada? 
Questiono-me se te recordas da minha voz, da forma como pronuncio o teu nome. Isto acontece-te? Lembras-te de mim? Lembras-te que eu existo, e que partilhámos horas, juntos, no nosso próprio Mundo, deixando tudo o resto a preto e branco?
E sabes o que me intriga mais? Será que alguma vez te questionaste se eu estou a pensar em ti? Se estou triste, se estou bem, se estou com alguém, se estou sozinha? 
Parte de mim quer saber a resposta a todas estas questões patéticas. A outra parte, tem um medo (ir)racional de ouvir-te proferir um "não"; com todas as letras, dito no compasso de um segundo. Sem hesitações, sem rodeios. Simplesmente, um complexo "não".
E acho que o meu medo me deixará ficar na ignorância. Talvez perca a oportunidade de ouvir outras coisas para além desta nossa "vida modelo", que descolámos, ao primeiro entrave.    

19.1.12

Who's The Killer In The Crowd? ♥


Estou farta.
Estou farta que todas as palavras que profira ou escreva sejam destinadas à tua pessoa. 
Estou farta que a tua presença (ou a inexistência da mesma) aflua à minha mente, quando tudo o que eu quero, é esquecer-te e seguir em frente com a mesma ligeireza com que tu o fizeste.
Este cantinho, estas linhas, são minhas. Este recanto que aqui criei é o meu refúgio. E, sinceramente, não quero que se torne o nosso teu. 
Esta sou eu. Aquele ser que eu já não conheço, esse sim, és tu. Alienado de mim e do meu sentimento.
E estas palavras, são para ti, por mais que me custe dar-tas. São para que quando as ignorares, eu ainda as possa ler e aperceber-me do quão idiota sou, por ainda gastar o meu tempo com quem não gasta um segundo do seu, por mim.
De ti, já bastam as constantes recordações e o bater descompassado do meu coração danificado. De ti, já bastam os pesadelos que me acordam de madrugada. Os pesadelos onde morremos, onde caímos, onde choramos, onde sofremos. De ti, já basta a perda de controlo dos meus sentidos, o peito que dói, que teima em ficar vazio, sem querer deixar sequer o ar entrar. 
De ti, já bastas tu. 

18.1.12

Because I Heard It Screaming Out Your Name ♥


Escrevo-te de novo hoje, mais uma carta fantasma, a ninguém entregue.
É só para dizer que te amo. Ou amava. Sou ingénua, inocente e inexperiente. 
Mas escrevo, sem endereço, apenas endereçado. Tu.
Quantas palavras que pensei foram tuas e para ti! Eram como um som, que sempre tinha estado adormecido, mas que tu acordaste, com a tua voz doce, sussurrada ao meu ouvido. 
Mas depois, esse som cessou. Tu emudeceste. Eu ouvia apenas o teu silêncio. Costumava incomodar-me, custar-me a vida. Depois passou. Depois, mesmo que tivesses um "amo-te" preparado, eu não quereria ouvir tais palavras ditas pela tua boca. E ainda não quero. Mas o silêncio continua a custar-me, porque a melodia que eu repetia todas as noites na minha cabeça, era a tua voz. Não, ainda não me esqueci da sua sonoridade maravilhosa, da forma como pronuncias cada letra, como entoas cada sílaba, como terminas cada frase. Mas canso-me de repetir sempre as mesmas coisas. Não me dás nada de novo para que possa recordar.
Mas não faz mal. Talvez seja melhor assim. Para mim e para ti. Para nós. Ah, esqueci-me que esses morreram.


17.1.12

My Beloved Was Weighed Down ♥



Não te deixes enganar pelo nome que te atribuí no título. Sabes que és o meu (não) amor.
Mas olha, é só para dizer que estou preocupada contigo. As tuas palavras foram "cometi um erro". 
Que erro foi esse, que te deixou assim? Que podes ter feito que te tenha puxado tão para o fundo, para este escuro que eu odeio. Não te deixes ficar na escuridão, está bem? Promete-me. Promete-me que vais afastar todos esses monstros. Que vais correr até à luz. Que não te vais perder no caminho. Porque esse caminho é teu, e eu não quero que essa culpa, essa angústia por ti mesmo te faça sair do trilho que tens de percorrer.
Quero que isso passe. Não porque ignoraste, como tantas vezes fazes, mas porque lutaste para destruir isso que te atormenta.
Mas não confundas estas minhas palavras com amor, porque eu (não) estou apaixonada por ti.
Estas palavras vêm do meu coração, sim, mas estão cravadas de compaixão, de preocupação, de medo. Nunca de amor, porque esse morreu. Talvez possa ser ressuscitado. Mas eu não sei se quero que isso aconteça.

16.1.12

"I Love You" Never Felt Like Any Blessing ♥



Já não sei que palavras te hei mais de dirigir. Já gastei tudo o que poderia eventualmente dizer-te. Já disse que te amo. Ou amava. Esse sentimento ficou no passado, e enquanto o conseguir manter aí, é onde permanecerá. 
Deixaste-me as mãos vazias. Geladas. O peito aberto e o coração partido ao meio. A mente turva, como água estagnada. Apagaste o brilho do meu olhar. Passei noites em claro. 
A minha almofada ficou manchada. Todas as lágrimas que derramei por ti, estão lá marcadas, como feridas de guerra. O ar queimava-me a garganta cada vez que proferia uma simples palavra que fosse. A minha mente foi assolada por constantes pesadelos. Nós morríamos sempre, se queres saber.
No entanto, mesmo tendo a perfeita noção de tudo isto, eu dizia a mim mesma que te perdoava, tudo, mas a verdade é que ainda não o tinha conseguido realmente fazer. Ainda.
Mas agora, neste preciso momento, nestes segundos que estão a passar sem nenhum de nós dar conta, consegui fazê-lo. Consegui perdoar-te. Mas não te enganes. A minha mente não apagará nem esquecerá o que aconteceu. Vou apenas pôr-lhe um véu por cima.
E de ti, espero o arrependimento, mas não o retorno. Nem que seja porque sei que tal não vai acontecer.
Eu perdoo o que houver para perdoar.
Eu deixo de amar cada partícula do teu ser. 
Eu sou finalmente livre do aprisionamento que me foi imposto pelo meu próprio coração.
Eu (não) estou apaixonada por ti.
Eu sou eu, novamente. Sou apenas "eu" e não "eu e uma réstia de ti". Eu recuperei o meu ser.
E, pela última vez, serás o meu (não) amor.

15.1.12

Sweeter Than Heaven ♥


Eu estava despedaçada. No chão. Sem forças para me levantar, sem forças sequer para respirar. Eu queria deixar de lutar. Queria cessar o meu esforço tão doloroso para respirar e ficar inerte, afogada nos meus próprios sentimentos. Eu queria. Mas já não quero. E é tudo graças a ti, minha princesa. 
As tuas palavras, conseguem sempre alumiar-me o caminho, mesmo quando tudo está escuro como breu. Consegues sempre secar-me as lágrimas, mesmo quando eu sinto que vou ficar exangue e cair, sem forças para mais. Conheces-me. Conheces a minha alma. Conheces aquilo de que sou feita, porque afinal, somos feitas do mesmo. De recordações, de angústias, de mágoas, de sorrisos forçados e de lágrimas derramadas por quem não as quer ver secas. Mas sabes? Também somos feitas de gargalhadas, de simplicidade, de alegrias, de vitórias, de orgulhos, de amizade, de amor. Somos feitas de luz e de escuridão, quer queiramos quer não. Mas somos nós, e por muito que o nosso exterior se altere, o interior é nosso, e ninguém nos pode tirar isso.
Hoje, ou devo antes dizer, no presente da nossa história, salvaste-me. Levantaste-me do chão, e gritaste. Gritaste para que eu acordasse, para que não me deixasse morrer. Ofereceste à minha alma, o alento que ela tanto precisava e que mais ninguém tinha sido capaz de mostrar. Revestiste o meu coração de força e conseguiste consertá-lo, mesmo quando eu te dizia, dia após dia, que tal seria impossível.
Não conheço palavras suficientes para te agradecer a tua insistência no meu coração magoado. Não tenho na minha mente um léxico tão variado que me permita exprimir o quão grata estou por não desistires de mim, por te manteres sempre do meu lado, mesmo quando o meu coração levantava tempestades, e nos deixava completamente encharcadas de lágrimas. 
Estou aqui. E estarei aqui. Porque tu existes, e porque esse teu coração bondoso te levou a gastar tempo comigo, quando tudo o que precisavas era tempo para ti.
E o que quer que as minhas palavras valham, eu quero abraçar-te e fazer por ti o triplo de tudo o que já fizeste por mim. Porque tu, mais do que ninguém, mereces todo o meu tempo, toda a minha dedicação, todo o meu ser.
Amo-te muito, princesa.

14.1.12

I Was A Heavy Heart To Carry ♥


Hoje sonhei contigo outra vez. Disseste que estavas arrependido. Beijaste-me a testa, e nesse preciso momento, o chão desabou. Caímos desamparados. Chegámos ao fundo de um buraco escuro. E aí, morremos. Ou eu morri, definitivamente. Porque já me vens a matar aos poucos há muito tempo. Ou talvez não seja assim tanto, mas o que o meu coração ferido sente, são séculos e séculos de tortura, de sofrimento nas tuas mãos. O meu coração sente-se a despedaçar, todos os dias mais um pouco. E agora, não tenho medo de dizer que a culpa é tua. Porque é. Não te posso mentir.
Os sorrisos verdadeiros que antes esboçava, cederam, para dar lugar às lágrimas que não limpam o que tu fizeste. Essa água salgada e quente que brota dos meus olhos todas as noites, não tem forças para levar numa enxurrada o teu toque. E então, eu fico assim. Porque tu não soubeste ficar.
E eu ando a medo, pelas ruas que dantes percorria com confiança, contigo do meu lado. Vejo a tua sombra marcada por cada sítio que passo, e o meu receio é que um dia, essa sombra dê lugar à tua pessoa. Porque, sinceramente, eu temo a minha reacção quando te vir. Não tenho medo de chorar, porque sei que isso não vai acontecer. Não temo insultar-te, porque sei que não mereces que canse a minha voz. Temo ignorar-te. Congelaste o meu coração, e ele transformou-se num órgão do mais fino gelo, que se quebra com apenas um sopro. Por isso, temo ignorar-te. Porque tal coisa, significaria que me deixaste incapaz de sentir. Ou de te sentir. 
Então, eu fico. Aqui; onde deverias estar comigo. Fico aqui a ignorar a tua existência, enquanto temo fazê-lo realmente.

13.1.12

I'm No Longer Your Muse ♥



Sexta-feira 13. Dizem que é o dia do azar. Não noto nenhuma diferença deste dia para os outros. A tristeza permanece igual, as lágrimas são derramadas pela mesma causa, os sorrisos são fingidos para as mesmas pessoas de sempre e a escuridão mantém-se.
É engraçado, como as pessoas que aclamam aos sete céus que mais me amam, são, no final aquelas que mais me magoam. Mas isso já é de esperar. É um cliché tantas vezes utilizado que começa a perder o significado. Mas para mim não. Para mim, esta frase continua a ser como punhais que se cravam no meu peito. Indícios da verdade que mais me custa ver. Mas hei-de aprender a viver com isso. Hei-de aprender a viver com o peito vazio. Hei-de reconhecer que o meu coração é como meros cartões postais e recortes de revistas, espalhados no chão de uma casa deserta. De uma casa deserta cujo telhado de madeira apodrecido, cede a cada rajada de vento. 
Mas porque é que ainda te digo isto? Tu, melhor que ninguém, deves saber como eu sou. Foste tu que me remodelaste, que criaste esta nova versão de mim. Só que te enganaste na fórmula, e cometeste um pequeno erro. Eu já não me preocupo contigo, erro crasso, realmente.

12.1.12

No, I Can't Take One More Step Towards You ♥



O telemóvel toca. Olho para o relógio. 4h:30 da manhã. "Mas quem será, a esta hora?". Atendo, e ouço uma voz familiar. "O que é queres?" Pergunto, antes de te dar oportunidade de dizer um "Olá" que fosse. "Quero falar contigo. Posso?". Pondero a minha resposta. Se te disser um "não" e te desligar o telemóvel, continuarás a ligar-me até ouvires uma resposta afirmativa. Se te der a oportunidade de dizeres o que queres, estarei a humilhar-me, a rebaixar-me, e a dar parte fraca. Tu notas a minha demora e perguntas "Estás a pensar?". Ris-te. Tens o descaramento de te rires por eu me sentir insegura em relação às tuas palavras. "Não, não podes falar comigo, mas deixa-me dizer-te isto: quando desligares a chamada, e perceberes que nunca mais vais ouvir o som da minha voz, não chores, sorri, porque depois de todas as asneiras que fizeste comigo, ainda conseguiste fazer algo bom; tornaste-me alguém mais forte e ponderada. Sê feliz, e aprende a fazê-lo sem mim". 

Gostava imenso de ter conseguido dizer-te isto, mas fui cobarde e tomei o caminho mais fácil. Desliguei-te a chamada, e em seguida, o telemóvel. Isso garante-me que, mesmo que queiras, não me voltas a incomodar, pelo menos, por hoje.
Não, não me acordaste. Tenho passado as noites em claro. Mas não é por tua culpa. "Não queiras mais de mim do que aquilo que já tens", digo em voz alta. Tenho o hábito de fazer isto, quando estou sozinha. Falo para o ar, como se me pudesses ouvir. Mas eu sei que não podes. Não me importo com isso. É melhor assim, porque eu quero afogar a (grande) parte do meu ser que ainda espera voltar para os teus braços. 
E podes dizer tudo o que quiseres. Eu nunca te dei razão, não é agora que vou começar.

11.1.12

Just 20 Seconds Since I Left You ♥


Está frio na rua. Acelero o passo. Atravesso a estrada sem olhar e chego ao parque. Avisto-te sentado num banco, mesmo no fundo do parque. Deves estar à espera dela. Continuo a andar, tentando não pensar que vou ter de passar mesmo à tua frente, e que não vou poder parar para te cumprimentar. Estou a 5 metros do banco, mas ainda não me viste. Dou mais um passo. Decisão errada, porque tu notaste a minha presença, e olhaste directamente para os meus olhos. Eu viro-te as costas, e quero andar, mas as minhas pernas não me obedecem. Começo a ficar tonta. Sinto os teus olhos cravados nas minhas costas. Não consigo respirar. Pareceu-me ouvir, ao longe, a tua voz, a chamar-me, mas não tenho a certeza. Não quero saber. Faço um esforço enorme, e lá consigo obrigar-me a andar. Só quero fugir dali o mais depressa possível.
Volto ao início do parque, ainda mortificada. Sento-me num banco e olho para o vazio, tentando abstrair-me de tudo, de todos os pensamentos que afluem à minha cabeça, mas nada resulta. Na minha mente, só consigo ver os teus olhos, a tua expressão quando olhaste para mim. Pareceu-me adivinhar ali um laivo de desprezo. Se calhar é o que mereço. 
Sinto alguém a tocar-me no braço. Olho para o lado, esperando ver-te, mas não. É só uma senhora qualquer, que quer saber as horas. "16h42". Mas porque é que eu ainda espero que reconheças que eu existo, quando sei que não o vais fazer?
Levanto-me e saio do parque. Parece que vou ter de seguir o caminho mais longo. Ajeito o cachecol e fecho o casaco. Olho para trás. Já não estás lá, mas não quero ter de passar por ali outra vez.
O meu passo vai ficando cada vez mais rápido, mas não corro. Não estou a fugir de nada nem de ninguém. Só que eu sei que estou a fugir de ti. 
"De nada nem de ninguém", repito em voz alta. Era suposto convencer-me a mim mesma, mas não resulta. Tiro o telemóvel e os phones do bolso. Ponho-os nos ouvidos, e ligo a música. Quero afogar os meus pensamentos em guitarras estridentes e estrondos de bateria. Ponho o volume no máximo. Já não me consigo ouvir a pensar, e assim, sinto-me melhor.
Chego a casa. 
Desligo a música, tiro os phones, o cachecol, o casaco e descalço-me.
Vou à casa de banho e observo o meu reflexo no espelho. Tenho a maquilhagem esborratada. Estive a chorar? Não me apercebi. Ou não me quis aperceber.
Afinal ainda temos algo em comum. Enquanto tu finges não te aperceber que existo, eu finjo que não me apercebo das minhas lágrimas. Mas prometo-te, que será a única coisa que ainda nos liga.

8.1.12

The Girl Who Played With Fire ♥


Amanhã, quero para mim uma caixa de fósforos e um frasco de álcool etílico. Ou uma garrafa de vodka, também resulta, e ainda me faz esquecer esta vida sombria.
Vou arrancar do meu pulso latente as tuas palavras, vou queimar o teu toque, e com a vodka, vou apagar o teu sabor. Tornaste-te numa faca de dois gumes, prontamente com sofreguidão para me apunhalar as costas e o coração. Mas olha, escusas de tentar danificar o meu coração, transformaste-o em granito, duro e escuro. Insensível e inquebrável. E não me venhas dizer que "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura", porque eu não preciso das tuas palavras odiosas para nada.
Os teus argumentos renegados, de nada te servem. Tornei-me agora fria, calculista, insensível, e à medida que a vodka me inebria, torno-me irracional. Tão irracional, ao ponto de te dizer que ainda te amo. Mas faz um favor, a mim e a ti, não acredites nessas palavras, porque eu também sei mentir.
Amanhã, vou fazer uma fogueira; vou deixar-me intoxicar pelo fumo, vou sentir a vodka a correr-me nas veias. Vou apagar, rasurar, queimar, expulsar-te de mim. E quando partires e deixares de habitar o meu corpo, parte com isto:
Tornaste-me nisto. A rapariga que sonhava com uma garrafa de vodka e um fósforo.