pour toujours

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24.3.12

We Could've Had It All ♥



Entrou na sala mal iluminada. Os seus olhos pousaram automaticamente na mesa, velha e empoeirada onde receava encontrar mais uma carta. Os seus medos tinham razão de ser.
Dirigiu-se, de passo leve e incerto, até à mesa, e, com cuidado, com as mãos que tremiam levemente, abriu o papel dobrado em quatro. Leu as palavras nele contidas. 

"Será ela capaz de fazer tudo o que eu fazia?
Será ela capaz de te entender, como eu sempre fiz? Será ela aquilo que queres?
E aquilo que vias em mim? Vês também nela? Espero que não, porque se assim for, apenas arranjaste uma cópia reles da minha pessoa, e isso eu não admito. Tiveste o original nas tuas mãos, porque foste à procura de quem fosse capaz de preencher aquilo que eu já preenchia?
Digo que ela é uma cópia da minha pessoa, mas não deveria. Não deveria ousar comparar-me a tal ser.
Não me chames de convencida, porque ambos sabemos que é a verdade. Ambos sabemos que poderíamos ter tido tudo, mas que tu preferiste ficar com a fotocópia a preto e branco." 


No seu quarto, claro e luminoso, acabara de escrever a carta. Deixá-la-ia em cima da mesa já velha e poeirenta que comprara com ele, quando ainda viviam na felicidade.
Após a ter lido e relido,  suprimiu uma lágrima, e ao invés, soltou um sorriso.
A outra não era a cópia de ninguém. E ambas sabiam disso. Beijou a folha. Os seus lábios vermelhos e carnudos deixaram uma marca de batom. Ele leria a carta. E nesse preciso momento, saberia que fizera a escolha certa.

3.2.12

Bless Your Soul ♥


Vem. Vem devagar. Podes levar todo o meu ser. Dou-te tudo aquilo que sou. Descobre aquilo de que sou feita. Consegues encontrar no espectro do meu olhar quantas lágrimas já chorei? E nos meus lábios? Contas os meus sorrisos? Vem e desinquieta tudo aquilo que sei. Ensina-me a ser como gostava de ser. Metamorfoseia as minhas palavras na música que queres ouvir. Leva os meus pensamentos, antes que me destruam. Vem, vem sem pressa.
 Mas vem por mim.
Vem para mim.

18.1.12

Because I Heard It Screaming Out Your Name ♥


Escrevo-te de novo hoje, mais uma carta fantasma, a ninguém entregue.
É só para dizer que te amo. Ou amava. Sou ingénua, inocente e inexperiente. 
Mas escrevo, sem endereço, apenas endereçado. Tu.
Quantas palavras que pensei foram tuas e para ti! Eram como um som, que sempre tinha estado adormecido, mas que tu acordaste, com a tua voz doce, sussurrada ao meu ouvido. 
Mas depois, esse som cessou. Tu emudeceste. Eu ouvia apenas o teu silêncio. Costumava incomodar-me, custar-me a vida. Depois passou. Depois, mesmo que tivesses um "amo-te" preparado, eu não quereria ouvir tais palavras ditas pela tua boca. E ainda não quero. Mas o silêncio continua a custar-me, porque a melodia que eu repetia todas as noites na minha cabeça, era a tua voz. Não, ainda não me esqueci da sua sonoridade maravilhosa, da forma como pronuncias cada letra, como entoas cada sílaba, como terminas cada frase. Mas canso-me de repetir sempre as mesmas coisas. Não me dás nada de novo para que possa recordar.
Mas não faz mal. Talvez seja melhor assim. Para mim e para ti. Para nós. Ah, esqueci-me que esses morreram.