pour toujours

29.7.17

Wild Thoughts


Sais para a noite fria. Uma noite antitética para o mês de julho. Por que é que está tanto frio em pleno verão? Não percebes. Na verdade, tudo é demasiado complicado para que o percebas. O mundo é de um tamanho infindável e tu não passas da estrela mais pequena de todas. Ainda assim, pensas, és uma estrela. Um conjunto, uma conexão de átomos, de histórias e de memórias que te fazem quem és. Nada faz grande sentido. O universo é infindável, o mundo continua a girar até quando o tempo para ti pára. É difícil de perceber onde tu começas e ele acaba. Ele, o mundo. E ele, o homem que segura o teu corpo depois da exaustão e ainda antes de calma. A tempestade vai passando, aos poucos, como o gelo que um dia foste. O gelo que as mãos quentes dele derreteram. Ele é quente. Os vossos corpos em uníssono são a ebulição mais pura de todas. As mãos dele que percorrem o teu corpo com a maior veneração que já viste. Os olhos que dizem tão mais do que quaisquer palavras que já lhe tenhas conseguido arrancar. Sentes-te livre e presa ao maior amor que conheces. O maior amor do universo. Sentes-te imparável, até parares um segundo para veres onde estás, com quem estás e por que é que estás. Ouves os pássaros na rua, olhas para as quatro paredes que te circundam, vês que já nada está igual. Tudo mudou. Mordes o lábio em jeito sedutor e eu só me consigo rir. Rir a sério. Gargalhar e sorrir com os olhos. Sorrir com o corpo todo, como quando encaixamos e somos as maiores estrelas de todas. Para mim, és a maior, a mais bonita, a mais brilhante. És imparável outra vez. És uma estrela, mesmo quando não passas de poeira.