pour toujours

18.8.14

But Still She Stays ♥


Eu sempre fiz tudo por ti. E tu sempre fizeste tudo por mim. Sempre nos agarrámos mutuamente, nunca deixando nenhum de nós cair no esquecimento. Mas, ultimamente, tenho evitado cruzar-me contigo na minha mente. Provavelmente porque, embora não sinta arrependimento por tudo aquilo que te disse (que, verdade seja dita, já devias ter ouvido há muito mais tempo), continuo a querer que voltes a ser a pessoa que eras e que voltemos a poder estar juntos. Tenho saudades tuas. Mais do que aquelas que devia, mais do que aquelas que consigo transcrever e muito mais do que aquelas que já chorei. Foram mais as promessas que cumprimos do que as que quebrámos, mas as que falharam têm um peso muito maior. Um coração partido pesa muito mais do que um coração apaixonado, isso eu posso garantir-te. O meu coração afundou quando me disseste que procuraste em todo o lado por mim, que esperaste por mim, que esperaste que eu voltasse. Vais passar uma vida a tentar encontrar-me em todas as mulheres que cruzarem o teu caminho. E vais perceber que nenhuma será aquilo que eu fui. Confesso que também eu procuro nos lábios que beijam os meus o teu sabor e não o encontro. Procuro nas mensagens as tuas palavras e nos sussurros a tua voz. Quando me perco nas memórias que me deixaste, percebo que não haverá ninguém como tu na minha vida. Talvez nunca haja ninguém melhor e eu terei de me contentar com o segundo melhor. O problema é que todos me parecem ser o terceiro e o quarto. Adormeço a pensar como seria ter o teu corpo colado ao meu e isso é meu maior calmante e, ao mesmo tempo, o meu maior desespero. Tal como tu sempre o foste. Sei perfeitamente que te lembraste de mim hoje, tal como te lembras todos os dias. Sempre tua, Andresa.

25.3.14

For My Bones Have Found A Place ♥


Uma garrafa de gold strike e três maços de tabaco. Cinco minutos de reflexão antes de sair para o ar frio da noite. Sem cerimónia, abres a garrafa e bebes até o sangue te queimar. Esperas que o álcool te apague o passado e preferes continuar a beber com a mão esquerda, sempre com um cigarro aceso na direita. Pensas se sentares-te no telhado será a melhor opção ou se hoje, o chão é a tua casa. Preferes nem pensar. Estás no teu estado mais puro, mais honesto. Apetece-te provar os mesmos lábios que desde sempre te tentam e, num golpe de sorte, o sabor da canela é substituído pelo da boca dele. O misticismo não se quebra. O vento empurra o perfume dele contra ti. Precisas dele. Precisas de escapar à mediocridade de uma vida de gold strike e marlboro. Observas os olhos dele, mas não vês nada. Sentes um aperto no estômago e calas o nervosismo com mais um golo de vodka. Não há nada que te pare agora. 
Quatro minutos e uma espera demorada. Já não há vento nem frio. Há apenas a escuridão de uma noite mais do que vivida. Saboreias os últimos momentos de loucura que a madrugada ainda permite. Não tarda, tens de deixar os cigarros no telhado e a vodka no chão. Pensas em átomos e numa noite escaldante, no frio do relento. Pensas em ódio e no sexo. A culpa não é tua, é da alucinação que a lua te causa. Estás alienada. Alheias-te de tudo menos do corpo dele. É demente o torpor que o toque de um fio de cabelo te pode causar. Há uma parede entre o teu dia e a vossa noite. Há uma barreira entre as pessoas que são ao sol, e as pessoas que a lua descobre. De dia, vivem. De noite, apaixonam-se. De madrugada, sentem-se.