pour toujours

25.3.14

For My Bones Have Found A Place ♥


Uma garrafa de gold strike e três maços de tabaco. Cinco minutos de reflexão antes de sair para o ar frio da noite. Sem cerimónia, abres a garrafa e bebes até o sangue te queimar. Esperas que o álcool te apague o passado e preferes continuar a beber com a mão esquerda, sempre com um cigarro aceso na direita. Pensas se sentares-te no telhado será a melhor opção ou se hoje, o chão é a tua casa. Preferes nem pensar. Estás no teu estado mais puro, mais honesto. Apetece-te provar os mesmos lábios que desde sempre te tentam e, num golpe de sorte, o sabor da canela é substituído pelo da boca dele. O misticismo não se quebra. O vento empurra o perfume dele contra ti. Precisas dele. Precisas de escapar à mediocridade de uma vida de gold strike e marlboro. Observas os olhos dele, mas não vês nada. Sentes um aperto no estômago e calas o nervosismo com mais um golo de vodka. Não há nada que te pare agora. 
Quatro minutos e uma espera demorada. Já não há vento nem frio. Há apenas a escuridão de uma noite mais do que vivida. Saboreias os últimos momentos de loucura que a madrugada ainda permite. Não tarda, tens de deixar os cigarros no telhado e a vodka no chão. Pensas em átomos e numa noite escaldante, no frio do relento. Pensas em ódio e no sexo. A culpa não é tua, é da alucinação que a lua te causa. Estás alienada. Alheias-te de tudo menos do corpo dele. É demente o torpor que o toque de um fio de cabelo te pode causar. Há uma parede entre o teu dia e a vossa noite. Há uma barreira entre as pessoas que são ao sol, e as pessoas que a lua descobre. De dia, vivem. De noite, apaixonam-se. De madrugada, sentem-se.

17.2.14

Don't You Ever Say I Just Walked Away ♥


No momento em que se preparava para ir, algo a impediu. Sabia que aquela alma que se encontrava à sua frente não a deixaria partir tão facilmente. Olhando para aquele ser, via uma desilusão profunda. Via a imagem de ruas que outrora conhecera tornarem-se agora desertas e sombrias. Nele, via noites de solidão e dias de saudade. Via as vezes em que ele a tinha desiludido, magoado e traído. Agora, via apenas tristeza. Talvez uma décima de arrependimento por aquilo que nunca tinha feito por ela. Fazia por esquecer isso. Fazia por se impedir de sair e deixar de parte aquilo que tanto a magoava. Passaram-se segundos minutos, horas, e os olhos deles não se fechavam um para o outro. As suas mãos não se largavam. Parou. E, num silêncio que falou mais alto do que qualquer grito que ela alguma vez tenha dado, fechou os olhos e largou-lhe a mão. No momento em que se preparava para ir, foi.