Tenho uma puta de uma dor de cabeça e a culpa é tua. Deitar-me às cinco da manhã é tortura, mas admito que foi por uma boa causa. Quer dizer apenas dizer que se precisar de ti posso simplesmente ligar-te e moer-te o juízo até às tantas da madrugada. No outro dia li que amor é cumprir as nossas promessas, mesmo quando já não somos obrigados a isso e, sinceramente, acho que a nossa amizade é das mais bonitas que tenho. Acho nobre mantermo-nos fiéis àqueles meses que passámos juntos. Acho bonito sabermos cada data, cada momento, cada riso, cada palavra, ainda de cor. Gosto das nossas conversas até de madrugada e dos rumos que elas tomam. Gosto que me ajudes a esquecer o que me faz mal e gosto ainda mais que, ao partilhares comigo tanto o bom como o mau, me deixes fazer-te sentir o mesmo. Não me importo minimamente com aquilo que acham da nossa proximidade. Por um lado, até me sinto orgulhosa de nós por termos ultrapassado tudo e por nos mostrarmos tão confortáveis um com o outro ao ponto de nos verem como um só. Não tenho dúvidas que, se isso existir, és a minha alma gémea e fico feliz por nos termos encontrado, de uma forma ou de outra.
25.11.13
9.11.13
When You Hit Me Hit Me Hard ♥
Tanto escreveu que ficou com os dedos em sangue. A dor pungente no lado direito da cabeça turvava-lhe a vista. Era o peso do próprio ar que a fazia perder o fôlego. Tinha os membros entorpecidos, um ardor na garganta e os olhos repletos de lágrimas. Era só mais um factor para lhe impedir a clareza da visão. Queria desesperadamente sair. Percorrer as ruas escuras, desertas e húmidas sem rumo certo. Queria acender um cigarro enquanto os tacões dos sapatos batiam contra o asfalto. Tinha saudades das noites que passara acompanhada. Tinha saudades do calor corporal que lhe aquecia a alma. Sentia falta dos beijos sôfregos, do toque dos corpos e dos aromas. A mão esquerda pendia quase sem vida, agora que já não tinha qualquer tipo de suporte onde se sustentar. A mão que outrora a segurara partira já há muito, mas, numa triste lealdade quase poética, ela nunca se habituara a essa ausência fatal. Era um tudo nada que lhe faltava no coração. Era um tudo nada que tinha um nome. Um tudo nada que ela queria esquecer e não conseguia, por mais tentativas anímicas que fizesse. Era uma morte rápida que a consumia lentamente. Como um golpe que só se torna fatal se nos deixarmos esvair em sangue. E ela estava a ficar já enxague. Estava a tornar-se fria, hirta e vidrada. Vidrada no quê? Na sombra dele que nunca mais se adivinhara pelos mesmo caminhos que ela. Estava fixa numa qualquer linha do horizonte que só tornava o seu sofrimento mais crasso e o seu coração mais inerte. Ela, no fundo, o ser mais cristalino, já não se encontrava presente. Apenas a saudade. Porque é como sempre disse, a saudade mata.
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