pour toujours

4.8.13

We Can Escape To The Great Sunshine ♥


Podia sentir o teu corpo até ao fim dos meus dias. Sentada na mesma cadeira de sempre, velha e antiquada, observo a cama que ainda alberga a marca dos nossos corpos. Passámos dias, tardes, noites, entrelaçados no fogo que nos consumia. Por momentos, esquecíamos o amor que nos unia e entregávamo-nos simplesmente ao sentir. Ao querer tocar, ao querer ter. Ao querer. Ao possuir. A sofreguidão e a respiração acelerada provinham da sensação das tuas mãos nas minhas curvas. Cada centímetro de mim que descobrias era apenas mais um espaço que amavas sem amares. Era algo que tomavas como teu e para ti. Mais ninguém me podia ter. Eu não pertencia nem à minha alma. Os átomos que me constituíam eram só teus. E, meu Deus, como eu ansiava por essa posse! Porque nos momentos em que toda eu era tua, também tu eras meu. Os teus braços que me acolhiam com desejo, a tua boca numa busca cega de prazer e loucura. Tudo de ti me pertencia e eu vibrava com a sensação. Éramos um do outro e nada poderia alguma vez mudar isso. No sexo, todos somos imortais. O corpo é eterno e a mente é infinita. 
Endireito-me na cadeira. Acendo um cigarro. Puxo. Travo. Antes de soprar o fumo, sorrio. Cada vez que sinto o sabor do tabaco recordo-me de ti. Deito o fumo para fora. Os nossos quadris encaixavam perfeitamente. Os nossos corpos eram feitos um para o outro! Mas as nossas mentes não. Ou eram e nós não as ouvimos. Caímos mil vezes no mesmo erro. Amámo-nos, odiámo-nos. Quisemo-nos, tivemo-nos. Desaparecemos. E voltámos a cair nos braços um do outro novamente. Eu não acredito na força do destino. Regressámos porque quisemos. E os nossos corpos, familiarizados com o toque, agradeceram. As nossas mentes, cansadas e calejadas, odeiam-nos a alma. Mas não precisamos de alma. Não quando nos temos um ao outro. Há quem morra de amores. Eu morro de sentimento. Não te amo. Sinto-te.


I Push You To The Limits 'Cause I Just Don't Care ♥


A loucura cega é a que mata mais depressa. A sensação de desapego quando o toque é de tal modo sôfrego que nos esquecemos de respirar, relembra-me a razão pela qual fazemos isto. Porque há coisas mais fortes do que o amor. Coisas que superam o sentimento e o sentido. É coisa de filme, que sairá com um final defraudado. Mas que se foda. Agora quero-te e, meu Deus, como sinto que me queres! Podia ser uma atração cósmica. Mas não é. É uma atração fatal. Isto ainda nos vai matar.