pour toujours

8.4.13

We Were So Perfect ♥


Não consigo adormecer. Tenho a tua presença cravada no meu peito. Sinto um aperto no órgão vital apenas comparável à dor da tua ausência. Já não sei o que fazer para me sentir bem. Pelo menos, para não me sentir tão a esmorecer como neste momento. Tento conter as lágrimas ou será mais uma parte de nós a escapulir-se de dentro de mim, e eu quero manter tudo o que resta daquilo que fomos bem guardado. Quero fugir à melancolia, tão próxima das madrugadas que julgo frias por aqui não estares. Os átomos que me rodeiam não me conseguem aconchegar. Nem sequer abraçar-me com um terço da força do teu sorriso. Continuo a querer curvar os lábios cada vez que esboças um esgar alegre. Não tenho a certeza se o consigo fazer sempre que o fazes também. Dói-me a mão de escrever tudo isto. Acho que os meus dedos se cansam mais agora, ao ter de escrever sobre a falta que me fazes. Não me apetece enfrentar-te amanhã. Porque vais estar do outro lado da estrada e não junto a mim, a aquecer-me as mãos, que por norma, gelam até no verão. Tenho a televisão ligada no canal musical do costume e cada nota que se apodera do meu quarto morto relembra-me de ti e das nossas madrugadas perfeitas. Aquelas em que pertencíamos um ao outro e, juntos, ao amor, à entrega e à candura das nossas vozes ensonadas e apaixonadas. Não consigo cessar o corropio de pensamentos e lembranças latentes num quarto fechado, que, com ou sem átomos é o nosso por direito. Foi. É. Foi. Sempre o será. Planeio a próxima metáfora a usar na nossa história e pergunto-me se não será demasiado idêntica às anteriores seculares. São e não são. Ou não sabem o que são. Tal como nós não sabemos se seremos eternos apaixonados ou eternas recordações.

2.4.13

There's Nothing Like Us ♥


Vou começar a fingir que já não sinto a tua falta de novo. Porque entre mostrar a todos que não sou de ferro e iludir-me, ainda que por breves momentos, prefiro ter uma falsa felicidade. Destrói-me saber que sentes a minha falta e não fazes nada para alterar isso. Como se eu não fosse importante o suficiente para admitires que preferes estar comigo do que sozinho, com ela, ou com outra qualquer. Não era suposto que as coisas fossem assim. Que o teu orgulho alienado destronasse o amor. E eu? Por mais que tente ser orgulhosa, quando falamos de ti, sou uma página em branco. Sou algo que não existe. 
Para meu próprio bem, devia recorrer à racionalidade e ao pragmatismo da coisa e aceitar que o teu coração não me pertence nem voltará a pertencer. E eu sei que há quem olhe para mim como se eu fosse louca. Como se a parte sã da minha alma se tivesse apartado. Talvez. Rodeio-me de preto, de fumo e do travo amargo dos cigarros que cravo à Gabriela. Ela, cuja existência eu abominava, acabou por se tornar num apoio estável e presente, quando tu deixaste de o ser. Quando foste e eu fiquei. Se voltares, eu não sei se ficarei. Só que eu sei que sim. Sei que rastejar não faz parte de quem era, mas faz parte de quem hoje sou.