A única maneira de não sentir saudades tuas é não sendo eu própria. Rodeando-me de fumo, sangue, eyeliner preto e álcool. E gosto de ser assim. Gosto porque não sinto a tua falta e não sei quem tu és. E são tantas as pessoas que me querem tirar deste buraco negro onde apenas eu vejo a luz. Dizem que já não sou quem costumava ser. É normal. Reneguei a tua existência até à mais ínfima partícula, e se tu foste outrora a melhor parte de mim, a tua ausência nunca me terá transformado nessa pessoa que fui. Hoje, sou o que seria, se nunca tivesses entrado na minha vida. Ignorei o teu sorriso, a tua voz e os teus olhos. E ao alienar a tua presença no meu coração, alienei a minha pessoa. Gosto de ser assim. E odeio gostar desta dormência fingida.

