Nas minhas mãos outrora quentes, jaz uma caneta que já não e usada. A minha respiração incerta completa a minha imagem desfasada e carente. Os meus olhos perscrutam o escuro e não enxergam a mais pequena partícula de luz. Vejo-me a mim, vagueando por espaços que um dia tão bem conheci. Vejo o meu movimento, a minha ação. Os meus olhos profundos, pontas espigadas e face cravada de olheiras. Vejo tudo e não preciso de um espelho. Sinto-me confusa. Não consigo distinguir a realidade daquilo que poderia ser uma pesadelo. Espero que esteja a sonhar. Apetece-me acordar e voltar a ser eu, porque isto, esta criatura sozinha e revoltada, não sou eu. Ou sou? Já não tenho a certeza de nada. Só que te amo e que tu me amas. Sim, tenho a certeza que me amas e que sentes tanto a minha falta como eu sinto a tua. Continuas a ser o meu, o único. Per siempre.
