Vai ouvindo o barulho dos carros e reflecte nos sons que os seus ouvidos captam. Para si, toda a confusão de que era testemunha podia explicar como se sentia naquele momento. Confusa. Inundada de pensamentos e ideias de nada, O barulho e a confusão eram um tudo tão grande, que se transformavam num nada. E assim, chegando ao cerne da questão daquilo que apenas ela conhecia e compreendia na sua totalidade. Pensou que se bebesse 20 cafés em cinco minutos, a sua já alta tensão dispararia e cegá-la-ia. Uma cegueira negra, que ela esperava que se tornasse clara. Ver nada, ver o nada era a única coisa que pedia, pois para que o nada existisse, o seu conceito teria de ser real. E um nada real era bem melhor que um tudo ilusório. Aquilo que os seus olhos viam, o seu coração sentia e a sua mente descodificava.
Aproxima-se do balcão do café. "É um café, por favor. Com adoçante." "Olhe que o adoçante faz mal ao coração, menina." "A sério? Pensava que era só o amor".
