Ele puxou-a para a chuva. Encostou bem o seu corpo ao dele e beijou-a. E foi aí que ela percebeu que tudo era um sonho. Que em breve acordaria, e ela perceberia que já não sabe escrever histórias bonitas. O seu coração foi levado na enxurrada, nas chuvas, e só voltará com ele, o que é o mesmo que dizer que estará para sempre desaparecido. Mas para destoar das pobres meninas inglesas que desaparecem nas praias algarvias, este desaparecimento não será notícia em todos os telejornais, todas as revistas e diário de notícias. Este, como tantos outros desaparecimentos de corações tristes, permanecerá no anonimato, à espera da sua paragem final, sem a possibilidade de reanimação. Não é bonito de se dizer, mas nem tudo na vida pode ser "extraordinário", muito menos as sombras dançantes dos beijos que nunca chegaram a ser trocados. É a triste realidade dos corações que desaparecem. Ninguém sabe onde vão parar, e francamente, ninguém quer saber, além da eterna garrafa de vodka e do cigarro preso nas mãos mortas.
"Ele", era ele. "Ela", era eu.
O meu coração já desapareceu. E o vosso?
