pour toujours

3.8.12

Like I'm Made Of Glass ♥


Sentia a água escaldante do chuveiro tocar-lhe a pele. Pequenas gotas de água tomavam contacto com os cortes profundos nos seus pulsos. Ardiam. Mas não tanto como os seus olhos, já cansados de derramar, também eles, pequenas gotas de água. Fechou os olhos e imaginou-se ao ar livre. Imaginou-se numa noite fria, percorrendo as ruas da cidade que mais amava, debaixo de uma chuva torrencial. Imaginou-se cair no pavimento e ao juntar a face às pedra frias e molhadas da calçada, imaginou que tudo deixaria de doer. Os cortes. Os olhos. Os pulsos. O coração. Abriu os olhos, e, contra-vontade admitiu a sua realidade. Já nada brilhava. Nem mesmo as estrelas. Muito menos as estrelas.

1.8.12

'Cause We Burnt Out ♥


Cinzas negras esvoaçam pelo ar. Adivinho-lhes o amor que outrora carregaram. As chamas que um dia foram. Extintas pelo fim. Afinal, tudo tem um fim. O amor? É o mais volátil que pode existir. Vai-nos matando aos poucos todos os dias e nem nos apercebemos. Isto, claro está, quando o lume se apaga. Quando há alguém que decide enterrar o que resta do outro pobre coração apaixonado. Sabem o que acaba por lhe acontecer? Torna-se cinzento. Granítico. E o pior é que só no epítome do fim as almas circundantes se aperceberão daquilo em que ele se tornou. E quando o compreendem finalmente... Aí é tarde demais, porque os gritos silenciosos, o sangue que jorrou, as lágrimas que brotaram e o amor que queimou já mataram. Já cortaram, esfaquearam. Assassinaram. E a única coisa que resta é um resquício de uma alma apodrecida. De um cabelo mal cortado. Olhos mortos, fixos num ponto distante, que só o amor sabe onde. O que resta é um nada, que
mostra tudo. Tudo o que um amor efémero pode fazer. Assassino.