pour toujours

28.7.12

Do You Think We'll Be In Love Forever? ♥


Houve alguém que disse que tenho uma alma doce. Um coração puro. Essa afirmação ficou cravada em mim. E foi ao desdobrá-la em pequenas letras rabiscadas, pela quinquagésima vez, que descobri que esse engenho, essa voz que proferiu tal coisa, não poderia estar mais errada.
O meu ser começa apenas agora a assimilar aquilo que os meus olhos já viam há muito. Inveja. Sim. Porque sei agora que olho com rancor e frieza os engenhos entrelaçados que por mim passam. Nutro por eles até uma desmaiada forma de ódio. Um sensação de traição. Como se todos os casais fossem formados pelo meu amor-perfeito por uma "espanhola-perdão-basca". E traição porquê, senhores?! Se o coração dele já não era meu? É. O amor tem destas particularidades engraçadas. Faz-nos sentir donos e senhores de tudo o que nos faça recordar o nosso amante. Somos donos do outro coração. Somos donos das letras das baladas. Somos donos do cheiro, dos olhos e dos lábios. Por ele, somos até donos da Lua. A única coisa que não é nossa, é o nosso coração, porque esse, claro está, há-de sempre pertencer à outra metade da laranja, quer ela nos dê um bom sumo natural ou a bela de uma afta.
É daí que surge a minha inveja. O meu sentimento de traição. Porque eu estou cá, ela está lá, mas ele "está mais para lá do que para cá", passo a expressão. E nós, metades sozinhas de laranjas, vamos tendo a boca cheia de aftas, por não largarmos este canibalismo.

27.7.12

We Are The World ♥


Podia começar este meu texto como um discurso. Ou como um aglomerado de palavras lançadas, cuspidas, tossidas e espirradas à toa. Podia sair quente, como o meu sangue. Ou frio, como as minhas mãos. Talvez erguesse uma muralha à volta do meu coração calejado, como as mãos de um pastor. Não. Prefiro começar este texto com a dureza do granito, que os comuns mortais não sentem, ou fingem que não sentem. Como há tantos amantes a fingir que não amam. E tantos ignorantes que pensam que o coração alheio é um palco onde podem representar e brincar como crianças pequenas. Então e agora? Agora, digo, com toda a certeza que os amantes também têm o poder de odiar. Apenas são demasiado fracos para mandar o mundo ir-se foder. Tal como eu sou tão fraca e tão forte ao mesmo tempo. Mas, oh, meu querido, meu amor, meu inocente Mundo, queres saber uma coisa? Os fracos são os fortes.