Sou extremamente racional. Consigo achar em tudo a lógica e a razão. A ciência por detrás daquilo que me dizem. Leio a semântica das palavras e recuso-me a acreditar nos vocábulos que não se traduzem em acções. Sou assim com tudo e com todos. Menos contigo, meu amor-perfeito. E esta minha ignorância passional traduz-se nas minhas reacções perfeitamente ridículas e assoberbantes.
Sabes qual foi a minha primeira reacção quando soube que poderias ficar permanentemente em terras anglo-saxónicas? Chorar. Chorar, meu amor-perfeito! Porquê? Porque sempre me prometeste que iríamos para Londres. Que iríamos viver sob a chuva constante, com o nosso sotaque britânico improvisado. E naquele momento fui confrontada com a realidade: que apenas metade da promessa seria cumprida. Eu chorei porque estás no nosso país. Porque tu estás aí, e eu estou aqui. E porque mesmo quando nos encontramos num mesmo território, delimitado pelas mesmas fronteiras, eu continuo aqui, e tu foste embora. Tenho saudades tuas. Mais do que queria e mais do que dá para humanamente sentir.
Amo-te mais do que amo o amor.

