Sinceramente, isto já não dá com nada.
A tua história, a minha história, o holograma do que poderia ter sido uma história de amor.
Às vezes, sinto-me como num filme. Como se tudo isto não passasse daquele período durante o qual todos os espectadores sentem compaixão pelo par que teima em não ficar junto de uma vez. Aquela altura da película em que toda a gente torce para que eles se encontrem magicamente numa estação do metro, e que pelo desenrolar dos acontecimentos, partilhem um beijo. E depois uma vida. Mas quem é que eu estou a tentar enganar? A vida não é como nos filmes. Não somos felizes para sempre. Nem para agora, quanto mais para sempre. Nos filmes, nada pode acabar mal, ou os espectadores sairão desapontados. A história trágica fá-los-á sentir-se um pouco vazios, sem sentido. Como se questionassem as leis da atracção. E ninguém se quer sentir assim. Ninguém quer sentir pena das duas personagens principais, porque, coitadinhas, não acabaram juntas. Não, na vida real nada é assim. Temos espectadores, sim. Temos aqueles que torcem para que tudo acabem bem, e temos aqueles que só tentam destruir o que já existe nos dois peões que a vida leva por aí. Normalmente, esses espectadores são mais activos do que passivos. E é assim que acabam as histórias de amor. As histórias de amor, que nunca passaram de filmes de drama de classe B que ninguém quer ver.
O mar não é salgado. O céu não é azul. E eu não te amo.

