pour toujours

8.5.12

Don't Stop Me Now ♥


Acabara. Morrera.
Lá fora, as luzes tinham-se apagado. Dentro dela, também. As palavras escapavam-se-lhe por entre os dedos. Já não tinha voz para gritar. Os soluços que faziam o seu peito convulsar bruscamente eram o único sinal de vida que deixava transparecer. Via-se perdida. Talvez apenas encontrada nos sítios de onde queria desesperadamente fugir. Tropeça e cai.Não faz menções de se levantar. Lá fora, a chuva cai ruidosamente, mas a única água que vê, é a que lhe escorre dos olhos. 
Espera pelo dia que venha, mas tem a sensação que vai ficar perdida no negrume. Não na noite, pois essa sempre lhe aclarou as ideias, mas no negrume. Desta vez, num beco sem saída. Talvez lhe agradasse, a ideia. Talvez não. Levantou-se, e lutou para chegar até às luzes que via flutuarem ao longe. Encontrou-as. Agarrou-se a elas e evitou o naufrágio, na enxurrada de palavras que a transcendiam. Estava livre. Estava finalmente livre. E agora, seria finalmente feliz. Sabia-o. Sentia-o. Não tinha nada que a prendesse ao chão. Nada que a prendesse a ele. Graças a Deus? Talvez. Gostava de acreditar que desta vez, só desta vez, fora graças a ela.
Começara. Sobrevivera.

7.5.12

I'll Seek You Out ♥


Queiroz, 
Escrevo-te pela primeira vez directamente. Gosto tanto de ti. Sim, é verdade que as nossas palavras colidiram em mais do que muitas ocasiões, mas ainda aqui continuamos, não é assim? E quero que continuemos por muito e muito mais tempo. Se possível, para aquilo a que chamamos de "eternidade". Sei que não acreditas no "para sempre", mas podemos tentar elevar a nossa amizade até lá?
Não sei se ao leres estas minhas palavras te estás a perguntar porque decidi escrever-tas agora, e tão assim sem aviso. A verdade, é que todos estes vocábulos a ti dirigidos têm um propósito.
É verdade. Estou preocupada contigo. Pressinto em ti uma aura que antes me seria impossível sequer imaginar no teu coração. Por falar em coração, sabes onde está o meu? Nas mãos, por não saber se estás bem. Sinto falta do teu sorriso e gargalhadas maravilhosos. O brilho que tinhas nos olhos, desapareceu. Sabias que sempre te admirei? Sempre admirei o facto de conseguires enfrentar a tristeza com esse brilho no olhar. Não sei onde ele anda, e bem que iria até ao fim do Mundo para o encontrar e poder devolver-to. E irei, se assim o desejares, meu anjo. Estou assustada. E sei que também estás, mas prometo que te consolarei, e juntas, afastaremos todos os fantasmas que teimam em pairar sobre nós. Já te ouvi dizer que fizeste muito mal a ti própria, e que te arrependes disso. Pergunto-me se haveria algo que eu pudesse ter feito para evitar toda essa amargura que percorreu o teu corpo. Questiono-me se não sou eu que sou uma amiga terrível, que não consegue ver quando alguém que lhe é tão querido, precisa de ajuda. Falhei, mas não quero mais falhar. Quero salvar de ti o que precisar de ser salvo e sorrir contigo. Sempre que nos apetecer.
E não quero que desapareças. Quero que fiques aqui. Comigo e com todos nós que gostamos tanto de ti. Preciso de ver o teu sorriso magnífico, que sempre me garantia que tudo iria ficar bem. Todos precisamos de ti e do teu brilho fantástico. Vem cá, e eu cuido da tua alma.
E eu amo-te, mesmo que às vezes não pareça.