Acabara. Morrera.
Lá fora, as luzes tinham-se apagado. Dentro dela, também. As palavras escapavam-se-lhe por entre os dedos. Já não tinha voz para gritar. Os soluços que faziam o seu peito convulsar bruscamente eram o único sinal de vida que deixava transparecer. Via-se perdida. Talvez apenas encontrada nos sítios de onde queria desesperadamente fugir. Tropeça e cai.Não faz menções de se levantar. Lá fora, a chuva cai ruidosamente, mas a única água que vê, é a que lhe escorre dos olhos.
Espera pelo dia que venha, mas tem a sensação que vai ficar perdida no negrume. Não na noite, pois essa sempre lhe aclarou as ideias, mas no negrume. Desta vez, num beco sem saída. Talvez lhe agradasse, a ideia. Talvez não. Levantou-se, e lutou para chegar até às luzes que via flutuarem ao longe. Encontrou-as. Agarrou-se a elas e evitou o naufrágio, na enxurrada de palavras que a transcendiam. Estava livre. Estava finalmente livre. E agora, seria finalmente feliz. Sabia-o. Sentia-o. Não tinha nada que a prendesse ao chão. Nada que a prendesse a ele. Graças a Deus? Talvez. Gostava de acreditar que desta vez, só desta vez, fora graças a ela.
Começara. Sobrevivera.

