pour toujours

25.4.12

And There's No Remedy For Memory ♥


Não estava habituada a ser feliz. Na realidade, apenas fora completamente feliz uma vez. Uma vez na sua vida, por uns míseros 21 dias. E no final, até onde é que isso a levara? A um estado de apatia ainda maior. A uma dormência tal, que passara a ver o mundo a preto branco, a ouvir os sons através de um filtro. Passara a viver como se estivesse vendada. Talvez estivesse mesmo. Talvez a amargura tivesse coberto de tal forma os seus olhos e o seu coração que o céu passara a ser o seu chão. E ela não gostava de alturas. Não. Passara a odiá-las desde que caíra desamparada, no 21º dia. 
Ela não estava habituada a ser feliz, por isso, quando um sorriso verdadeiramente sentido lhe esculpia os lábios, ela estranhava o sentimento. Estranhava o sentimento assim como estranhava não ter a mão dele para agarrar. Não ter o seu corpo do lado do dela. E ao fim de 119 dias passados, desde o 21º, ainda não se habituara a tal privação. Não precisava de um coração novo, precisava de uma vida nova. O "problema" é que precisava de ser com ele.



23.4.12

If You Ever Leave Me Baby ♥


Lá fora, a lua inundava todos os recantos e janelas de um mundo com que ela, perdida nas alturas, sonhava.
Estava prestes a largar a mão que a segurava à beira da varanda, quando, docemente, uma voz que julgava já ter esquecido, lhe sussurra um "Olá menina". E então, a doçura volta ao seu olhar. Ao seu peito, retorna o ar, para de seguida se extinguir de novo. O seu peito teima em não subir e descer no compasso de quem quer viver. Ela luta, para não se afogar nos próprios pensamentos, e responde à voz. "O que se passa?", pergunta a medo, nas entrelinhas. "Podias falar mais", ouve a voz dizer. A menina sabe que não deve alimentar o seu imaginário. Ouvir vozes nunca foi sinal de sanidade. Todos aqueles vocábulos, proferidos por quem ela mais queria ouvir, aquela voz esculpida a cinzel, que ressoa nos seus ouvidos... Só pode ser fruto da saudade que sente daquela alma que sempre leu a azul. "Eu não sou imaginado", ouve ela. "Estou mesmo aqui". E estava. Estava mesmo. 
A lua desaparece por entre as nuvens. Amanhã irá chover, e isso deixa-a com um sorriso nos lábios. Ama a chuva. Quase tanto como ama aquela alma que sempre leu a azul. 

(Ainda te lembras quando me cantavas este título? É, eu também não.)