E cá estou eu, mais uma vez, agarrada às palavras que já devia ter deixado ir há muito tempo. Cá permanecem a amargura, a tristeza e todos aqueles vocábulos que já devia ter alienado do meu ser.
O sol já nasceu e já se pôs centenas e centenas de vezes. Eu já acordei e já adormeci outras tantas. Já acordei quando tudo o que queria era nunca mais abrir os olhos. E no entanto, continuo aqui. Em certos dias, contra minha vontade. Hoje, talvez seja um desses dias. Mas e daí, talvez já não saiba nada, pelo meio de todo o que conhecimento que vai escorrendo pelos meus olhos.
E as palavras que teimam em não se afastar do meu coração. E os sons que quero abafar. As vozes que quero calar e as pessoas que quero trazer para perto de mim.
O meu amor? Por onde anda esse sentimento tão ingrato?
Não sei, nem quero saber, se isso importa para alguém que ainda absorva as minhas palavras. Desde que não se encontre plantado do lado daqueles que tantas vezes o mutilaram, chegando mesmo ao ponto de ele se querer anular.
Hoje, cessou mais uma vida que eu conhecia. Mais um coração que pertencia ao meu círculo, desistiu e encerrou os seus batimentos. Pena é não ter sido o meu.