pour toujours

29.1.12

I'm Walking With Spiders ♥


O cheiro bafiento da sala de jantar misturava-se com o fumo do cigarro que acabara de acender. Deu um bafo. Não gostava do sabor, mas a sensação era agradável. Levou-o aos lábios mais duas vezes e deitou-o fora. 
Olha para ele, sentado numa cadeira, directamente à sua frente. Ele ia dizer-lhe qualquer coisa, mas ela silenciou-o com um gesto. Levantou-se, dirigiu-se até ele e beijou-o. Ele não resistiu, como ele pensara que fizesse. Ao invés, entregou-se totalmente a ela. Agarrou-lhe no cabelo e sentou-a no seu colo. Por entre todas aquelas sensações, o sabor quente e molhado da boca que ela tinha decorado, por entre todos aqueles beijos loucos e selvagens, ela sorriu. Afinal, ele ainda lhe pertencia.
Deteve-se quando ele lhe começou a tirar a camisola. Levantou-se do colo dele, quase tonta de adrenalina e foi até ao armário das bebidas. Tirou a vodka e bebeu, directamente da garrafa. Atirou-a ao chão e viu os recortes de jornal ali espalhados, definharem e a tinta das letras desaparecer.
"Vem comigo", disse-lhe. Ele levantou-se e ela dirigiu-se a uma porta fechada. Rodou a maçaneta enferrujada e a porta abriu-se, rangendo. A divisão estava completamente mergulhada na mais pura escuridão. (Se é que a escuridão pode ser pura). "Entra". Ele entrou. sem a mínima hesitação. "Então ele sempre confia em mim", pensou ela. Entrou de seguida e fechou a porta. Estendeu a mão até ao sítio onde sabia estar o interruptor e acendeu-o. 
Sentou-se no chão poeirento. Ele imitou-lhe os movimentos. A sala estava vazia. As duas únicas almas ali presentes: a dele. E a dela.
Estavam sentados frente a frente, mais uma vez. Permaneceram em silêncio, até que ela diz "Para sempre". Ele fica confuso. "O que queres dizer com isso?" "Seremos para sempre réstias daquilo que um dia quisemos ser. Sofremos, chorámos, e no fim, onde é que tudo isso nos trouxe? Até aqui. Até esta sala vazia onde eu sei que estou apenas eu realmente". "Mata-te". "Para quê? Para apodrecer aqui, com nada mais do que uma mera recordação tua, do teu sabor e do cheiro do fumo daqueles cigarros baratos? Não". Levantou-se, saiu,  e fechou a porta. Ele não a seguiu. Foi até à sala de jantar. Acendeu outro cigarro e pegou numa réstia de jornal que não se afogara na vodka. Leu as letras grandes e negras: "ELE (JÁ) MORREU".   

28.1.12

And Who Do You Think You Are? ♥



Faz hoje um mês. Faz hoje um mês que decidiste separar os nossos caminhos. Faz hoje um mês que me disseste que o que vivemos foi uma mentira.
Um mês de lágrimas, um mês de gritos, um mês de escuridão. Mas não te aches muito importante, não foste só tu a razão pelo qual este meu último mês tenha sido um inferno. Mas foste parte dela, e isso chega.
Isso chega para eu me sentir destruída por ti, embora não queira. Isso chega para me esconder da tua sombra. Isso chega para não conseguir sorrir como antes.
E sabes o que mais chega? Eu viver a minha vida em prol do teu ser. Chega. Acabou. 
Porquê? Ainda podes perguntar (embora duvide que o faças). Porque "nós" acabámos. Morremos. Cedemos. Esmorecemos. Agora existo eu. Sem ti. E talvez seja melhor assim. Não para ti. Para mim.