pour toujours

27.1.12

It Takes An Ocean Not To Break ♥


Avô, a tua ausência marcou-me mais do que eu esperava.
A dor que sinto é muito superior àquela que gostava que o meu coração suportasse. Não penses que te queria esquecer, ou que queria ficar indiferente à tua partida; mas também não me queria sentir assim. 
Estou permanentemente à beira das lágrimas. Não há um dia em que não chore. Tenho saudades tuas. Da tua voz. E o facto de saber que NUNCA mais vou poder ouvir a tua voz quando me chamavas "pequenina", dói tanto tanto. Custa-me respirar só de saber que nunca mais vou poder sentir os teus braços protectores à minha volta. Tenho os olhos a arder de tanto tentar conter as lágrimas que querem transbordar dos meus olhos castanhos. Castanhos escuros, como os teus.
Tenho saudades tuas. Arrependo-me de não ter passado tanto tempo quanto devia contigo. Enquanto podia. Sinto-me culpada. E essa culpa corrói-me por dentro. Acho que nunca senti nada tão mau assim.
Meu Deus! Eu queria tanto, mas tanto poder ter-te aqui comigo outra vez! Partiste tão repentinamente... Não deste tempo para que  me pudesse mentalizar que nunca mais iria ver-te. E isso não é justo para nenhum de nós.
Eu sempre disse que se pudesse voltar atrás no tempo... bem, não voltava, nem alterava nada, mas agora, dava tudo de mim para poder regressar aos segundos, aos dias, aos anos que já passaram, só para poder ter-te comigo novamente, avô. Apetece-me gritar aos quatro cantos do Mundo "Volta, por favor!", mas para quê? Não iria adiantar de nada.
Será que estás a olhar por mim? Será que estás bem?
Oh, e já estou a chorar outra vez... Porquê?! Porque é que isto me afecta tanto? Não devia! Não podia! Tudo desabou, e porquê? Será que sou eu que sou fraca ou és tu que és uma luz muito mais forte, avô?   
  

26.1.12

Please Teach Me Gently How To Breathe ♥


Já não sei se hei-de chorar se hei-de rir. Se rir, é de mim própria. Do quão ridícula me tornei. Estou perdida, num caminho que pensava saber de cor e salteado. Todos os meus passos me levam para um labirinto. E o pior é que eu sei que descobrir a saída dessas paredes geladas que me confinam, será aquilo que não terei força suficiente para fazer. 
Quero adormecer. E acordar apenas quando me apetecer. SE me apetecer. Estou farta de fazer apenas coisas erradas. Estou farta de sair sempre por baixo. Não aguento a pressão. Estou cansada de ser a única a ficar mal com as situações. O meu coração já não aguenta as decepções que com tanta naturalidade lhe impõem. 
O meu ser já não é o mesmo, compreendam isso. Já não aguento com o peso que põem sobre os meus ombros. Sinto-me feita de vidro, e que a qualquer momento, a minha estrutura pode ceder. Sinto-me a desistir. E isso parece-me bem mais aliciante do que deveria ser. 
E as lágrimas salgadas que escorrem agora dos meus olhos são a prova que ainda estou viva. Que, embora fraco, o meu coração ainda bate. 
Sinto-me numa espiral descendente que não pára, e não me deixa respirar. Sinto-me sufocada por mim própria. Talvez o meu erro seja procurar aquilo que não existe. Querer aquilo que não posso ter. Talvez deva parar. Simplesmente parar no tempo. Esquecer que existe um Mundo lá fora cheio de impossíveis, e de coisas que nunca vou conseguir alcançar.
Desculp(a)em-me. Vou só apagar todas as luzes e rodear-me daquilo que é igual a mim. O vazio da escuridão.