Escrevo-te de novo hoje, mais uma carta fantasma, a ninguém entregue.
É só para dizer que te amo. Ou amava. Sou ingénua, inocente e inexperiente.
Mas escrevo, sem endereço, apenas endereçado. Tu.
Quantas palavras que pensei foram tuas e para ti! Eram como um som, que sempre tinha estado adormecido, mas que tu acordaste, com a tua voz doce, sussurrada ao meu ouvido.
Mas depois, esse som cessou. Tu emudeceste. Eu ouvia apenas o teu silêncio. Costumava incomodar-me, custar-me a vida. Depois passou. Depois, mesmo que tivesses um "amo-te" preparado, eu não quereria ouvir tais palavras ditas pela tua boca. E ainda não quero. Mas o silêncio continua a custar-me, porque a melodia que eu repetia todas as noites na minha cabeça, era a tua voz. Não, ainda não me esqueci da sua sonoridade maravilhosa, da forma como pronuncias cada letra, como entoas cada sílaba, como terminas cada frase. Mas canso-me de repetir sempre as mesmas coisas. Não me dás nada de novo para que possa recordar.
Mas não faz mal. Talvez seja melhor assim. Para mim e para ti. Para nós. Ah, esqueci-me que esses morreram.














