(Não pares). Uma lágrima salgada escorre pela face do homem. Do homem sentado numa esquina. As mãos sujas, os cabelos desgrenhados, o estômago colado às costas. As pernas magras e fracas que não o aguentam em pé. (Não pares). O homem não sabe como foi ali parar. Reza pela morte do mundo cruel, áspero. O mundo negro e apodrecido que apenas vai matando corações. (Não pares). Não pares um segundo para o olhar o homem parado na esquina. O homem que abandonaram. Sabes que idade tem? (Não pares). Sabes? (Não pares). Ignora. (Não pares). Mata-o. (Pára). Agora já paras? Pega numa arma e mata-o. Não? Não és capaz de pegar numa faca e esventrar o seu corpo? Abominas pegar numa espingarda e enfiar uma bala no seu cérebro? Então, porque o ignoras? (Não pares). (Pára).
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16.4.12
13.4.12
We Were Born To Die ♥
E ontem, tomei contacto com os meus lençóis e adormeci. Esperava um sono sem sonhos, sem tormentos, sem fadiga e choros. Mas quem é que eu quero enganar? Esses momentos de paz, sossego, calma, não me estão destinados. Hoje, sonhei com a minha morte. Sonhei que um anjo tinha vindo para mim, para me levar para junto de Deus. Aproximou-se de mim um ser angelical, com um olhar quase infantil e disse-me que tinha sido enviada por Deus. "Deus veio por mim?" "Não." "Eu vou por Deus?" "Sim." "Eu vou morrer?" Pergunto por entre soluços. "Sim." "Quem és?" "Sou um anjo, e fui enviada por Deus. O meu nome é Margarida." "Porquê?" "Porque Deus espera por ti. E junto d'Ele serás feliz. Estás pronta?" "Pronta?" "Para morrer". Nesse momento, obriguei-me a mim mesma a acordar. E aí, apercebi-me. Eu não quero morrer. Eu não vou morrer, pois não? Por favor, não me deixem morrer.
11.4.12
It's Like A Dark Paradise♥
Mas por que é que eu sou tão estúpida? Não faz sentido absolutamente nenhum.
Hoje, estava decidida a falar contigo. E não fui. Porque sou uma cobarde. E porque tenho medo, muito medo de qual possa ser o desfecho final. Quase corri ao teu encontro, decidida a dizer-te tudo o que ainda guardo dentro de mim. Todas as palavras que ficaram por ouvir e por mencionar. Mas tu não estavas lá. Não estavas, e a minha coragem foi esmorecendo... Como sempre, a minha força vai diminuindo, ao ponto de se mostrar quase nula, e de me deixar num canto, fraca e indefesa, contra os meus próprios pensamentos. Esses pensamentos que se aglomeram em manchas negras, como que nuvens adivinhando uma tempestade. Por que é que eu sou tão cobarde? Tão estúpida, tão parva. Tão FRACA?!
Estou cansada de nunca levar as coisas até ao fim. E disso, só me posso culpar a mim. Estúpida.
9.4.12
This Is My Idea Of Fun ♥
E hoje, aqui me encontro, com a mão dorida e a vista cansada, para escrever mais um aglomerado de palavras insignificantes. Mais um conjunto de letras que a ninguém interessa. Nem mesmo a mim. A minha mente paira por outros locais, neste momento. Todos os meus sentidos estão distanciados do meu corpo e do local onde os átomos que me conjecturam realmente se encontram.
Viajo pelos momentos que já passaram e que desejo ardentemente recuperar, reviver e guardar no coração.
Viajo pelo meu futuro, tão incerto. Tão frágil e volátil. Posso acabá-lo, amanhã, antes mesmo de o começar. Posso atirar-me ao mar, e morrer, sufocada pelas águas que, ao torturar-me, apenas estariam a cumprir o meu desejo.
Mas não, não o farei. Não transformarei o meu futuro num nada. Pelo menos, não por agora.
8.4.12
Whistling My Name ♥
Perco-me no silêncio das pessoas que sei que estão lá fora. Perco-me na minha própria respiração, e no bater regular do meu coração.
Lá fora, há-de pairar o desastre, a agonia e a confusão. É por isso que permaneço aqui. Para que amanhã ainda possa acordar e ver-me sorrir. Para que amanhã ainda queira acordar.
Alguém bate à porta. Vou abrir. Não está lá ninguém. (Não estás lá tu).
(Meus amores lindos, já somos 202! Nem sei como vos agradecer! Obrigada por todo o apoio que me têm dado, pelos elogios, pela presença. Juro que nunca pensei que houvesse tanta gente disposta a ler as minhas palavras, a aturar os meus devaneios. Tanta gente pronta a limpar as minhas lágrimas e a pôr-me um sorriso na cara. Tanta gente que fica feliz quando eu estou feliz. Muito obrigada, nem sei bem o que vos posso dizer, além de que vos adoro, mesmo, e que por mim, estaria ao vosso lado, fisicamente, todos os dias. Dar-vos-ia um abraço bem apertado quando chorassem e partilharia os vossos sorrisos e triunfos. Obrigada, por tudo, sempre.)
(Meus amores lindos, já somos 202! Nem sei como vos agradecer! Obrigada por todo o apoio que me têm dado, pelos elogios, pela presença. Juro que nunca pensei que houvesse tanta gente disposta a ler as minhas palavras, a aturar os meus devaneios. Tanta gente pronta a limpar as minhas lágrimas e a pôr-me um sorriso na cara. Tanta gente que fica feliz quando eu estou feliz. Muito obrigada, nem sei bem o que vos posso dizer, além de que vos adoro, mesmo, e que por mim, estaria ao vosso lado, fisicamente, todos os dias. Dar-vos-ia um abraço bem apertado quando chorassem e partilharia os vossos sorrisos e triunfos. Obrigada, por tudo, sempre.)
6.4.12
My Heart Will Go On ♥
Afasta-te. Corre. Sai daí. Nunca mais voltes. Deixa esse lugar que tanto teima em prender-te. Acabou, já acabou tudo, será que não percebes? Ele não te ama. Ele não precisa de ti. Não perde o seu tempo a chorar por ti ou a pensar no que há-de fazer para te reconquistar. Ele não quer os teus beijos, não quer o teu toque.
Não grita o teu nome quando precisa de alguém. Ele avançou. Há 3 meses que ele avançou. Faz o mesmo, criatura de Deus! Por mais que te custe ter de abdicar do seu perfume, do calor das suas mãos. Por mais que te custe ter de largar o seu coração. Avança. Esquece-o, porque assim não vais conseguir ser feliz. Percebe uma coisa, "longe da vista, longe do coração", e não o podes ver se o queres deixar no passado, por mais que queiras passar pelos sítios onde ele está, encostar o teu corpo no dele e não ouvir aquilo que as outras pessoas dizem. Por mais que precises dele, aprende a viver sem a sua presença, criatura de Deus!
3.4.12
Haven't You Heard The Rumors ♥
Tudo o que é bom, é sol de pouca dura. Hás-de me explicar, como é que em 5 dias mudas de ideias, assim, num ápice. Hás-de dizer é o que raio é que eu tenho de errado para que uma pessoa não consiga "arcar" comigo mais do que uns meros dias. E ainda me hás-de dizer como é que, do dia para a noite, passas de "casa-te comigo, meu amor" para "estou confuso". Não compreendo, a sério que não.
E não me venhas dizer que estou a ser agressiva, porque isto não passa de espanto, perplexidade. E sabes que mais? Não sei se estou contigo, se estou sem ti, por isso mesmo, permaneço aqui, estagnada. À espera que dirijas as tuas palavras à minha alma. Mas afinal, o que é que se passou aí, nesse teu coração? Não consigo perceber se foi apenas uma discussão, se foi o fim. (Por favor, meu Príncipe, não deixes que seja o fim).
2.4.12
He's The One I'm Leaving You For ♥
É verdade. O meu coração bate por ti. A minha voz chama por ti. Os meus lábios anseiam por que lhes juntes os teus. É assim, o meu amor por ti. Veio de surpresa. Tomou-me de assalto e alegrou os meus dias. Tal como alegrou os teus.
Eu sei-o. Consigo vê-lo no teu olhar, senti-lo o teu toque. Oiço as tuas palavras sussurradas no meu ouvido, e é como se voasse. Como se conseguisse levantar voo para um mundo só nosso.
Anda ter comigo, meu amor, e eu prometo-te que seremos felizes.
1.4.12
Come On Skninny Love ♥
São as tuas palavras que transformam uma noite de preocupações e saudade. São esses vocábulos, oriundos do teu engenho que me deixam, mais um vez, com um sorriso na cara. Meu Príncipe, peço-te com todas as forças que ainda tenho:
Nunca deixes de ser assim, porque és tu e o teu amor que me fazem feliz.
É o teu carinho, a forma como me conheces. A forma como me alteras e aumentas a velocidade dos meus batimentos cardíacos. És tu. Só tu. Só nós.
31.3.12
Turn Around Bright Eyes ♥
Deixa-me correr para ti e deitar o meu corpo nos teus braços. Deixa-me ficar contigo, protegida de todas as dúvidas que me assolam a mente. Permanece comigo, acalenta-me o ser e entende que os meus olhos só brilham quando estou do teu lado. Vês a nossa cumplicidade? Vês todos os momentos que já partilhámos juntos antes de decidirmos unir os nossos corações? Foram eles que fomentaram este nosso amor. Foram todas essas conversas, todos esses olhares, que nos trouxeram até onde estamos hoje.
E olha, "Se eu fosse um dia o teu olhar, e tu as minhas mãos também. Se eu fosse um dia o respirar, e tu perfume de ninguém. Se eu fosse um dia o teu olhar". O teu olhar que me encanta. Tu sabes.
30.3.12
He Has Me By My Heart ♥
É com as tuas palavras que me vais fazendo apaixonar por ti, cada vez mais.
É com os teus lábios sobre os meus que eu sei que estou onde pertenço. Do teu lado. Contigo, pronta para enfrentar qualquer obstáculo que tente desviar-nos do nosso caminho. Daquele caminho que temos de percorrer, juntos. Promete-me que ficas comigo, porque eu quero ficar contigo, disso tenho a certeza.
29.3.12
Heaven Is A Place On Earth With You ♥
Sinto-te. Sinto-te a chegar devagar e ao de leve. Sinto-te a tomares cuidadosamente o meu coração nas tuas mãos e a protegê-lo, tal como ele tanto precisava. Consigo adivinhar a tua respiração, bem pertinho da minha, que me diz que hoje, os nossos corações batem em uníssono. E isso é tão bom.
És aquilo de que preciso para ficar bem. Tenho em ti um porto de abrigo. Uma mão que segurará a minha, se eu teimar em perder o equilíbrio. Tenho a minha segurança nos teus braços, e o paraíso nos teus olhos. Esses olhos verdes que eu tanto amo.
Obrigada por me quereres fazer feliz. Obrigada por me ensinares de novo a amar. Obrigada por seres meu.
E olha? És um idiota, gordo feio, otário, estúpido, e é por isso que eu te amo.
(E diz lá se aqueles ali em cima não parecem mesmo nós?)
28.3.12
Promise You Remember That You're Mine ♥
Sabes que sou insegura. Sabes que me custa acreditar nas palavras que me dizem... E quando me proferem
"Eu amo-te, acredita em mim. Juro.", o meu coração não sabe no que há-de acreditar.
"Eu amo-te, acredita em mim. Juro.", o meu coração não sabe no que há-de acreditar.
Sim, é verdade que eu te amo, não o posso negar, e és realmente muito importante para mim. Não foram raras, as vezes em que me imaginei do teu lado, a respirar o mesmo ar que tu, com os teus dedos entrelaçados nos meus. É simplesmente algo que consigo ver. É algo que me traz conforto. Alegria. E aquele nervosismo miudinho.
É por isso que eu te peço: se me amas, se me amas realmente, como dizes, não me mintas. Não deixes que isto seja mais uma ilusão, de falsas palavras, falsos gestos e sentimentos. Não deixes que isto seja mais um falso amor; porque esses, já eu os vivi, e não os quero mais junto ao meu coração, que só agora começa a bater de novo, esperando a cura que só alguém como tu lhe pode dar.
Não transformes as tuas palavras em mais um tiro, directo ao meu coração. Porque se assim for, isso destruir-me-à. Tu sabes que sim!
Espero pelo dia de amanhã, e pela prova que insistes em dar-me. Espero pela felicidade. Pela liberdade. Espero pelo amor. Espero por ti. Por favor, cuida bem do meu coração.
Well Shit At Least You Tried ♥
Não, não fora isso que prometera a si própria.
Prometera ao seu coração que iria deixar de doer. Que ouvir o seu nome já não causaria nenhum tipo de dor ou angústia. Prometera a si mesma deixar fora do seu coração aquilo que ainda restava dele, e seguir o seu próprio caminho, sem nunca mais se lembrar daquilo e de quem lhe tinha em tempos mutilado o coração, quase aniquilando os seus batimentos indefinidamente. Prometera. Assim como prometera manter-se no desapego. Mas não consegue. Não consegue deixar de sentir um arrepio cada vez que ouve o seu nome. Não consegue retrair uma lágrima cada vez que se engana, e se refere a ele como seu. Não consegue reprimir um esgar de dor cada vez que o vê, ao longe, e decide, para seu próprio bem, não se aproximar.
Independentemente de tudo isso, continua feliz. Talvez seja algo novo, alguém novo, que teima em pousar no seu coração, e tocar-lhe a alma. Talvez seja um simples brilho no olhar que a deixe feliz. Talvez seja o início do fim. Talvez seja apenas um percalço, e que o seu caminho continue escrito, nas ruas do esquecimento de quem, no fundo, já não se lembra. Nem que seja porque esse ser já não está lá, e deu lugar ao epítome do ódio renegado, maltratado e proferido entre dentes.
26.3.12
But I Still Remember That Day We Met In December ♥
É como andar sobre vidros partidos. Pensar no que fazer.
É doloroso, e quiçá desnecessário, porque a minha decisão estava tomada desde o início. É uma dor imposta por mim mesma, porque eu sempre soube o que queria fazer. A minha decisão mantém-se. A minha muralha continua erguida. Continua forte, e eu, dentro dela, protegida. Dentro da redoma do meu orgulho.
Continuarei no silêncio, no exílio, no túnel. O meu corpo permanecerá onde está. A minha mente, essa, vagueará, mas manter-se-á fiel. Fiel aos seus próprios princípios improvisados. Afinal, há sempre uma primeira vez para tudo, não é?
25.3.12
I Tell My Love Wreck It All ♥
Via o sorriso desenhado no seu rosto. Os olhos, brilhando docemente, por entre todas as memórias que já vivera. O cabelo, outrora baço, irradiava agora luz. A boca, com os lábios pequenos e rosados, era o cerne de tudo. Por entre cada uma das suas feições, conseguia descortinar as palavras que nunca dissera. Os beijos que nunca dera. Nos seus braços, adivinhava os corpos que nunca segurara. As mãos, ainda quentes do calor outrora partilhado, encontravam-se agora vazias. Abertas, na esperança de que algum ser quisesse dividir os seus átomos consigo. Enquanto tal não acontecia, aguardava, pacientemente, como quem espera pela vida.
Sentia no ar em seu redor o perfume, sempre forte, de quem um dia lhe limpara as lágrimas que não mais escorreram dos seus olhos infantis. Ouvia ainda todas as melodias trocadas com o aparelho vocal que pertencera em dias à sua outra metade, em tons graves e agudos, que iam sendo inventadas na escala musical. Tudo se resumia às vivências que hoje não passavam de recordações. De meros suspiros lançados ao vento. Tudo se resumia a um tornado de sensações que nunca na sua vida teria impedido de seguir o seu curso. Tudo se resumia a nada.
Afastou-se do espelho.
24.3.12
We Could've Had It All ♥
Entrou na sala mal iluminada. Os seus olhos pousaram automaticamente na mesa, velha e empoeirada onde receava encontrar mais uma carta. Os seus medos tinham razão de ser.
Dirigiu-se, de passo leve e incerto, até à mesa, e, com cuidado, com as mãos que tremiam levemente, abriu o papel dobrado em quatro. Leu as palavras nele contidas.
"Será ela capaz de fazer tudo o que eu fazia?
Será ela capaz de te entender, como eu sempre fiz? Será ela aquilo que queres?
E aquilo que vias em mim? Vês também nela? Espero que não, porque se assim for, apenas arranjaste uma cópia reles da minha pessoa, e isso eu não admito. Tiveste o original nas tuas mãos, porque foste à procura de quem fosse capaz de preencher aquilo que eu já preenchia?
Digo que ela é uma cópia da minha pessoa, mas não deveria. Não deveria ousar comparar-me a tal ser.
Não me chames de convencida, porque ambos sabemos que é a verdade. Ambos sabemos que poderíamos ter tido tudo, mas que tu preferiste ficar com a fotocópia a preto e branco."
No seu quarto, claro e luminoso, acabara de escrever a carta. Deixá-la-ia em cima da mesa já velha e poeirenta que comprara com ele, quando ainda viviam na felicidade.
Após a ter lido e relido, suprimiu uma lágrima, e ao invés, soltou um sorriso.
A outra não era a cópia de ninguém. E ambas sabiam disso. Beijou a folha. Os seus lábios vermelhos e carnudos deixaram uma marca de batom. Ele leria a carta. E nesse preciso momento, saberia que fizera a escolha certa.
23.3.12
We Still Play Out In The Rain ♥
Olha em frente e perde o olhar no horizonte que se estende perante si. Pega num cigarro e leva-o aos lábios. Acende-o e sorve o fumo. Sente a boca invadida pelo trago amargo e seco do tabaco. Era como se tivesse bebido uma chávena de café forte. Sentiu-se um pouco zonza, e como sempre, isso dizia-lhe que o cigarro estava a fazer o seu efeito.
Adorava aquele sabor. Era toda uma parafernália de sabores e sensações que o resto do mundo desconhecia.
Acaba de fumar e apaga o cigarro com o pé. Sente o ímpeto de pegar em mais um, mas não o faz. Em vez disso, sai do sítio de onde está, quase em passo de corrida. O ar entrava-lhe por entre as fibras do fino casaco castanho. Doíam-lhe os pés, daqueles sapatos de tacão enorme. "Que se lixe, até gosto da sensação".
Abrandou o passo e sentou-se num banco de jardim. Tirou outro cigarro da mala, e mais uma vez, desfrutou da calma que lhe trazia. Pensou em tudo. E não pensou em nada.
Gotas pesadas de água começaram a cair. Nesse preciso momento, deixou cair o cigarro no chão molhado. Apagou-se imediatamente.
A chuva levou-lhe o sorriso. Camuflou-lhe as lágrimas. E depois? Depois fez o que sempre fizera. Devolveu-lhe tudo o que lhe tinha tirado e o que sempre lhe pertencera. O seu coração.
22.3.12
Past The Point Of No Return ♥
E é um desapego tal que não me incomoda a mente nem o coração.
Reconheço que raramente sou fria para quem me magoa. Mas tenho limites.
Odiando fazê-lo, quebro as minhas promessas. Mas é para o meu próprio bem, por isso, faço-o. Coisa rara, que o meu engenho estranha e quer contrariar. Mas não posso deixar que isso aconteça. Passei o ponto sem retorno, ou pelo menos, esforço-me para o fazer.
Preciso de eliminar de vez as réstias de sofrimento que me tatuaram no coração. É um processo doloroso. Foi um processo doloroso, digo. Porque já nada aqui resta. Nada do que me fez chorar. Nada do que me fez duvidar do meu sorriso.
É complicado abdicar das promessas outrora feitas. Para mim, é. O ser humano é um ser egoísta, que fará tudo para se proteger a si próprio e salvaguardar o seu coração, e remei muito tempo contra essa maré.
Preciso de me proteger. Ou então colapso. E isso, desprezo.
Passei o ponto sem retorno. E não me incomoda a mente nem o coração.
21.3.12
Take That Body Downtown ♥
Estava tudo tal e qual como deixara. As cadeiras estavam arrumadas da mesma forma, o mesmo guardanapo sujo estava sobre o balcão da cozinha. A torneira continuava a pingar as mesmas gotas de água por minuto. A falha na tinta da parede do quarto não tinha aumentado nem sido corrigida.
Ele tinha razão. Ela nem daria mais pela sua existência. Ele prometera-lhe que seria como se nunca tivesse existido.
Mas a verdade era que ainda existia. Mesmo não se notando. Mesmo que ele tivesse feito tudo para que o coração dela não doesse mais, após ter ouvido as suas palavras.
Ele ainda permanecia na mente dela, tão vivo como quando o vira pela última vez. Ainda conseguia sentir o sabor da sua boca e o seu cheiro continuava impregnado no nariz. Ele ainda vivia. Então, porque tinha morrido?
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