Sinto necessidade de escrever. Apenas escrever. Deixar que as palavras que me afogam a mente inundem o papel.Não tenho tema para desenvolver, nem regras a seguir. O que sair dos meus pensamentos enublados aparecerá nestas linhas.
Estou farta de tentar emendar e rasurar toda a minha vida, todos os meus actos. Claro que às vezes, sendo uma pessoa consciente daquilo que a nossa sociedade impõe, tenho de corrigir os meus erros: mas hoje não.
Hoje, as folhas de papel em que escrevo são a minha liberdade. São o meu porto de abrigo com cheiro a maresia.
Os dias de chuva toldam-me a visão, mas enaltecem a minha mente, deixando-a apta para descortinar (ou talvez não...) os caminhos que terei de percorrer até o meu coração cessar os seus batimentos.
Complico as palavras e simplifico os gestos. Clássico. Deixo que o medo se apodere de mim e vivo como o resto dos desprezíveis seres humanos que por aí existem. Não me resta outra opção.
O bater das asas da borboleta ensurdece-me e eu deixo de conseguir pensar.
Não há nada a fazer a não ser esperar. E esperar. E esperar, pelos sons que não ouvirei e pelas vozes que não conhecerei.
Hei-de arranjar um gravador e gravar o simples barulho de uma esferográfica contra o papel. Para me manter sã, e saber que mesmo que não conheça as vozes que deviam esperar por mim, posso sempre (tentar) inventá-las. Inventá-las nas meras linhas e ruas da minha cidade mental.
Rezo e espero que algo ou alguém me ouça, porque toda a gente precisa de um "milagre" de vez em quando. Eu não sou a excepção do Mundo, por isso rezo, oro, peço, grito entre choros e gargalhadas. Suplico que o barulho da esferográfica não pare até ao final destas linhas.