(Imagem com direitos de autor!)
Avô, escrevo hoje para ti, mas sinceramente, não sei que palavras te hei-de dirigir.
Nunca fomos muito próximos. Sempre me disseram, tu e a avó, que me amam muito, e eu não duvido disso, mas gostava, que às vezes, fizessem algo que o provasse. Uma visita surpresa? Ou então, uma visita apenas. Pois, bem sei que agora é impossível, com o avô neste estado em que está, mas ele nem sempre esteve assim, pois não? Nos meus 14 anos de vida, sei que quase nunca vieram cá a casa. E também sei que não foi por falta de convites, nem de vontade; pelo menos da minha parte e dos meus pais. E não moram longe.
E este Natal? Assim como os dois ou três últimos, recusaram-se a passá-lo connosco. Porquê? "Estamos muito cansados. Mas amamo-vos muito.". Sim, eu também vos amo, aos dois; mas avô, eu sei o que os médicos dizem. Dizem para nos irmos preparando, porque não deves ficar muito mais tempo entre nós. E embora os meus pais não me queiram adiantar muitos pormenores, eu vou ouvindo as conversas. E vejo o estado em que estás, com os meus próprios olhos, cada vez que os meus pais me levam a vossa casa.
E sabes, avô? Acho que o meu maior desgosto, é saber que não me vais ver acabar a Universidade, como tanto querias. E apesar de não seres o avô mais presente, eu amo-te, e amar-te-ei sempre. E agora, por favor, fica bem.