Sabes o que fizeste? Fizeste com que eu passasse a acordar todos os dias sentindo a tua falta. Sonhava com o teu regresso praticamente todas as noites, e isso foi-me matando aos poucos. Sei bem que se te dissesse que tenho mais saudades tuas do que vida, provavelmente chamar-me-ias de louca, mas é verdade.
Tenho saudades do teu cheiro. Da maneira como me chamavas à Terra quando eu teimava em divagar. Como nunca me querias deixar ir, e pedias sempre só mais um beijo. Tenho saudades de quando me pegavas ao colo, de quando me beijavas à chuva. Quando dizias que teríamos de ter uma casa de ferro e um filho chamado Martim. Quando não me querias deixar sozinha na net, porque tinhas o medo irracional que alguma coisa me acontecesse. E o que é que eu te dizia sempre? "Descansa, estou com a Nicole"... Tudo isso, todas essas pequenas coisas que fazias... Quando ralhavas com os teus amigos por quererem testar o meu limiar da dor. Tenho saudades do teu cheiro, a tabaco e perfume que ficava sempre impregnado no meu casaco. E daquela vez em que estava a chover e me levaste para a arcada de um prédio só para que pudesses beijar-me sem que eu começasse a tremer de frio? Quando quase me fizeste chorar e a minha voz enrouqueceu quando me olhaste nos olhos e pela primeira vez me disseste "amo-te". Onde foi tudo isso parar?
Eu? Eu continuo com tudo isso guardado no meu coração. E a única coisa que te poderia pedir seria que voltasses para mim, que voltasses a unir as nossas vidas. Ou a tua vida com aquilo que sobra da minha. Eu amo-te, e amei-te como nunca amei ninguém antes. E já tentei ser feliz sem ti, já, muitas vezes, mas não consigo. Há sempre algo que me puxa de novo para ti e para a tua aura. É mais forte do que eu.
E eu preciso de ti. Preciso das tuas mãos sempre quentes, para aquecerem as minhas, sempre geladas. Só preciso de te ouvir cantar Daughtry e Bruno Mars, enquanto andamos por aí. Só preciso disso. Só preciso de ti. E as saudades apertam, muito mesmo, e eu não posso fazer nada, porque ainda que aqui estejas tu, não estás. Está o teu corpo, mas a tua mente já não pensa em mim a toda a hora. A tua voz já não diz o meu nome e os teu lábios já não suplicam por só mais um toque dos meus. Tu seguiste em frente, coisa que eu não fui capaz de fazer, e por isso, aqui estou. "I'm just a woman, standing in front of a man, asking him to love her", sabendo que isso é impossível. Sabendo que ele já não a ama e já não precisa dela. Só queria que soubesses que eu ainda te amo, que eu ainda preciso de ti. Que eu ainda te quero para mim. Sonho pelo dia em que digas que (ainda) sentes o mesmo. Aguardo pelo dia em que me chames de tola e me digas que tal é impossível.
E com todas estas palavras, com tudo isto que tinha guardado para mim, digo-te um "adeus" meio sussurrado, a medo. Mas não faz mal, porque eu sei que vou ficar bem. Porque embora as minhas palavras sejam fracas em som, são fortes em significado, e isso basta-me. Eu amei-te. E agora, desculpa-me, mas vou ali ser feliz.